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A CRISE DOS TERRÍVEIS MAUS NEGÓCIOS...

Terça-feira, 24.01.12

 

Deixei de acreditar que Portugal se vá ver livre desta crise tão cedo! E começo mesmo a meditar nas recentes palavras de Sócrates, vindas de Paris... aquelas de dizer que “as dívidas dos países não se pagam, mas que se negociam”, será que tem mesmo razão? Matematicamente – ouso eu dizer -  que é impossível, com este tipo de políticas, que Portugal saia desta malfadada crise tão cedo, ou até algum dia!  E vem-me à memória, mais uma frase histórica, desta vez de António Spínola, quando, nos anos setenta do século já passado e a propósito da então guerra colonial, afirmou, qual pedrada em charco de água e lama, que “o problema da guerra colonial não era militar, mas político.” Na altura, tal como hoje com Sócrates, caíram-lhe todos em cima e foi preciso vir o 25 de Abril de 74, para todos lhe reconhecerem a razão e mesmo a sabedoria militar! Com Sócrates, estou convencido, que quando o país se afundar cada vez mais, mergulhando no descrédito, na pobreza, na insegurança, nos confrontos e na miséria social e económica, talvez depois recordemos só então as suas, hoje bizarras (?)  palavras, não as considerando depois descabidas de todo! Como não serão também descabidas de todo, as palavras recentes de Otelo Saraiva de Carvalho, ao proferir que “os militares nas ruas só tinham  uma forma de se manifestarem, que era pegar nas armas”...(,de novo.- acrescentaria eu!).

 

Sinceramente não sei mesmo o que dizer, já que não sei mesmo nada de economia...mas por vezes dou comigo a querer perguntar a Sócrates como negociaria ele a tal dívida do nosso país?! A prosseguir com as suas autoestradas e pontes, mesmo pelo Interior? A rasgar sem vacilações o TGV? A implementar o novo Aeroporto? E dinheiro?  E confesso, que o vejo mesmo com aquele sorriso cinicotecnocrata a encolher os ombros e a responder-me descaradamente que “depois de feitos se veria!!”. Espantoso! – pasmo eu! mas de facto o desemprego não aumentaria tanto e o país, será que empobreceria mais? Mas será que um país que trabalha, que edifica, que constrói, que se lança para os cornos do toiro e da Europa com obras dessa envergadura, será que empobrece? Será que as obras são posteriormente confiscadas e exportadas para os tais países dos FMI, das TROIKA e das MERKEL? Ou será que...a dívida desse país se mercantiliza? E se se sim, como? Em troca de quê? E com quem? Com a Venezuela? Com o Japão? Com a América? Com o Canadá? Com a Base das Lajes? Com a NATO? Com a Nuclear? Com a saída do Euro? Com a adesão... ao Dólar? Como negociaria Sócrates a dívida do país, afinal?!...Grande enigma!

 

Mas duma coisa sinceramente eu sei... que é dar-me conta de alguns terrivelmente MAUS NEGÓCIOS que vejo acontecerem no meu país! E não falo (já) na alienação da nossa soberania para com a China, como está patente na recente venda da EDP, nem doutras alienações que por aí vão surgir...refiro-me, hoje aqui e agora, ao DESAPROVEITAMENTO DOS MELHORES RECURSOS HUMANOS que possuímos  que estamos ESTÚPIDAMENTE A DERRAMAR! E relembro aqui, e a propósito, dois ou três casos:

O primeiro é o daquele casal que fez algum furor nas TVs este fim-de-semana (um pouco menos que o Sporting, mas quanto chegasse!), ele enfermeiro, ela médica especialista em medicina interna,  a escandalizarem o país, anunciando que iam emigrar para a França, porque não tinham condições de (sobre)viver em Portugal! Fiquei petrificado, Deus meu!

Outros dois casos, aqui bem ao meu lado, são o do meu ex-aluno Nuno, de alcunha “O Chouriço”, da Escola de S. Martinho de Anta, onde um dia lecionei. Hoje é enfermeiro e músico trompetista, mas que emigrou para a Inglaterra e o do André, um jovem cá mesmo da minha aldeia, filho do Saúl, que tem um café por cá pela terra... é também enfermeiro e emigrou para Barcelona, Espanha!

Mas, como  estes,  há muitos outros casos, que nos furam os ouvidos no dia a dia: jovens engenheiros que emigraram para Marrocos, para Palma de Maiorca, etc., etc.

 

Bolas e merda para isto! Desculpem lá, mas sinto-me mesmo revoltado com todos estes TERRÍVEIS MAUS NEGÓCIOS  para o nosso país! Senão vejamos:

1-     Em QUANTO FICOU AO PAÍS a Licenciatura (em medicina, em enfermagem, em engenharia) de cada um destes jovens? Quantos milhares, ou milhões de euros gastámos para os formar, desde o Jardim de Infância, até aos canudos nas universidades?

2-     Em QUANTO FICOU AOS PAIS a   Licenciatura (em medicina, em enfermagem, em engenharia) de um destes jovens? Quantos milhares, ou milhões de euros gastaram para os formar, desde o Jardim de Infância, até aos canudos nas universidades?

Então, concordarão comigo, que cada jovem destes que estupidamente deixamos sair do país, por não lhe darmos condições, nem acarinhamento, são – mesmo financeiramente falando – milhões de euros que desbaratamos de forma ESTÚPIDA e com CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS IMPREVISÍVEIS E INCALCULÁVEIS!

 

Então, concordarão também comigo, que PROCLAMEMOS  aqui e agora ao Governo deste país - se é que estes governantes ainda ouvem alguém – a:

A)- Em nome da RECUPERAÇÃO ECONÓMICA, QUALITATIVA, DESENVOLVIMENTAL E GERACIONAL de Portugal, que se PROÍBA de IMEDIATO a saída do país de qualquer jovem licenciado, comprometendo-se o governo a arranjar-lhes ocupação e remuneração compatível, de acordo com a sua especialização e formação.

B)- A ter de haver EXPORTAÇÃO DE ALGUÉM (se é que FINANCEIRAMENTE a TROIKA O EXIGE!) então que se comece e se selecione QUEM TEM MENOS POTENCIAL ECONÓMICO (OU MESMO POTENCIAL NEGATIVO), devido à sua idade, estado de saúde, incapacidade, rendimento, ou mesmo condição... como seja:

B1- Velhos (de preferência acamados!)

B2-Deficientes (de preferência do Interior)

B3- Drogados (de preferência passadores e consumidores)

B4- Desempregados (de preferência se casados e com filhos)

B5-Estudantes (de preferência com NEE)

B6- Professore (de preferência os que sofram de stress/burnout)

B6-Políticos (de preferência dos Partidos de Esquerda)

B7- Sindicalistas (de preferência da CGTP)

B8-Crianças (de preferência as órfãs e as negligenciadas)

B9-...

 

ENFIM, que dizer e fazer mais neste blog,  a não ser ESCANDALIZAR?!

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publicado por eduardus às 00:05

Recordando os "Cinco Talentos"... (um dos meus posts em 2007)

Quarta-feira, 18.01.12

- Domine, quinque talenta tradidisti mihi, ecce, alia quinque superlucratus sum.

- Euge, serve bone et fidelis, quia in pauca fuisti fidelis, supra multa te constituam, intra in gaudium Domini tui.
É esta a história (parábola) bíblica, que nos "encosta à parede" pela obrigação individual, imperdoável aos olhos dos Homens e de Deus, de cada um de nós FAZER BOM USO das capacidades (TALENTOS) que possui. É neste contexto, que a minha voz e o teclado do meu computador não se calarão... Posso, bem sei, estar enganado e errado em muitas coisas do que digo, do que penso, do que escrevo, do que defendo, mas uma coisa é certa, não me vergarei nunca ao "facilitismo", ao "comodismo", ao "laissez faire laissez passer"...
 
Tentarei usar devidamente os meus TALENTOS... no COMBATE a favor das minhas ideias, a favor dos mais fracos, dos mais explorados, dos mais estúpidos, dos mais pobres, dos mais necessitados, dos mais prostituídos... É que a PROSTITUIÇÃO é das coisas que ou mais admiro ou que mais abomino: quando é feita por medida extrema de sobrevivência física ou mental quem a pratica tem toda a minha veneração e respeito, mas quando é utilizada só para atingir os fins sem olhar aos meios... é simplesmente dos actos mais nojentos e abomináveis!
P.S.: Agradeço a quem me ler e se não concordar comigo, o especial favor de ME CONTESTAR de forma franca, dura e combativa, tal como eu! É que, já para lá dos 50 anos, o maior ensinamento que a vida me deu foi que, os nossos maiores e verdadeiros amigos, são aqueles que nos ajudam a crescer, ou seja aqueles que NÃO NOS DÃO RAZÃO, QUANDO NÃO A TEMOS! É que ....ao contestarem-nos frontalmente conseguem às vezes que a gente abrace a RAZÃO deles e isso torna-nos imensamente muito mais ricos! 
 
Enfim, desde 2007 para cá... que reconheço que não mudei nada! E, acreditem que abomino cada vez mais... aquela  tal prostituição!

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publicado por eduardus às 00:12

RÉPLICA DO XII CONGRESSO DA ANP: sucesso!

Terça-feira, 17.01.12

(post retirado de http://anpvilareal.blogspot.com)

XII CONGRESSO DA ANP: EPÍLOGO!

Paula Figueiras Carqueja assume a liderança da ANP, sucedendo a João Grancho, em resultado deste XII Congresso da ANP, para eleição dos novos órgãos sociais.
A Direção da Secção de Vila Real, congratula-se com esta nova liderança que Paula Carqueja assumiu na Direcção Nacional da Associação, sendo acompanhada por Emília Ribeiro e Mário Leite (Vice-presidentes), Paulo Pimentel (Tesoureiro), Carlos Jorge Castro (Secretário), Armindo Cancelinha, Isabel Carrasco, Carmo Leitão e Rolando São Marcos (Vogais). A presidir à Mesa do Congresso e do Conselho Fiscal continuam, respectivamente, Carlos Alberto Pereira e Pinho Neno.
O Congresso aprovou assim a moção de estratégia global apresentada pela Direcção Nacional e duas moções sectoriais, uma de Pinho Neno e outra de Eduardo Alves (Presidente desta Secção de Vila Real).
Os congressistas aprovaram, também, por aclamação, uma proposta da Direcção Nacional de reconhecimento associativo, atribuindo a João Grancho, o estatuto de Presidente Honorário da ANP, pelos relevantes serviços prestados ao longo de 27 anos e particularmente na última década enquanto Presidente da Direcção Nacional.
Paula Figueiras Carqueja conhece bem Vila Real, é filha do falecido senhor Inspetor Figueiras da Tele-Escola, que foi uma pessoa muito estimada por todos os professores do então Ensino Mediatizado! Tem, por isso mesmo, raízes bem transmontanas, fator que aliado às suas reconhecidas qualidades pessoais e profissionais, motivaram desde o início o apoio e entusiasmo da Direção da Secção.
De realçar ainda o reforço da representatividade e liderança da Secção de Vila Real nos Orgãos Sociais Nacionais da ANP, através da continuação de 1 Elemento na Direção Nacional (Maria do Carmo Leitão) e do reforço de 1 para 3 do número de Conselheiros Nacionais (Cândida Grácio , José Carlos Fernandes, recém eleito e Ana Paula Cunha Alhais, recém eleita). Espera-se assim que, doravante, os problemas e anseios dos professores em geral e dos da área da Secção em especial, sejam de forma ainda mais consistente levados ao Conselho Nacional, com intervenções pertinentes devidamente sentidas, estudadas e apresentadas, dignificando a Secção e os professores em geral.
Finalmente registe-se aqui a maior estima e agradecimento aos quatro Congressistas Eleitos e que tão bem representaram a Secção nesse XII Congresso: Raul Marques, Marília Gomes, José Carlos Fernandes e Adélia Gonçalves.
Vila Real, 16 de Janeiro de 2012
Eduardo Ribeiro Alves
(Presidente da Direcção da Secção)

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publicado por eduardus às 01:35

XII Congresso da Associação Nacional de Professores – Braga, 14 de Janeiro 2012

Sexta-feira, 13.01.12

 

MOÇÕES (extratos) e MEMORANDO...

 

Moção A-José Augusto Pinho Neno

  • A Escola, para cumprir a sua missão de promover o desenvolvimento integral de cada pessoa, não pode ser a escola massificada e facilitista voltada para a formação do “homem social”, nem a escola mercantilista com a preocupação de formar o “homem económico”. Não. A Escola, para cumprir com rigor e eficácia o que se lhe exige, tem de ser uma escola personalista, apta a contribuir com o conhecimento nela transmitido, adquirido, aplicado e construído para a formação do “homem cultural”.
  • Modelos de escola: o de matriz social, massificante e facilitista, idealmente apostado na construção do igualitarismo utópico; o de matriz tecnológica, positivista e utilitarista, voltado para a preparação e habilitação profissional dos indivíduos, apostado em optimizar os meios de produção de riqueza material; o de matriz cientifico-humanista, personalizante, cultural e deontológico, preocupado com o processo de autoformação integral da pessoa, de cada pessoa, e apostado no desenvolvimento de todas as suas capacidades e talentos.
  • Professor “é aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma língua”.
  • Por força de pressões de natureza económica, social, ideológica e política que a perturbam e sufocam, a Escola desviou-se da sua função pedagógico-científica centrada na pessoa humana, adulterou-se e entrou em crise de identidade.

 

Moção B-Eduardo Ribeiro Alves

  • É pela Reivindicação que se luta por melhores condições nas carreiras e nas remunerações e pela Dinamização que se engrossam as fileiras com cada vez mais associados.
  • ANP: outros eixos, linhas ou objetivos, também fundamentais, de entre os quais se alavancam um de natureza social, cultural e mesmo lazer e outro de natureza ética e deontológica, assente na autorregulação da profissão docente.
  • A profissão docente precisa de todos, Sindicatos e demais Associações Profissionais de professores, não sendo necessário, recomendável, ou mesmo admissível que uns e outros estejam condenados a porem-se de candeias às avessas.

Mais responsabilidade e participação!

  • Este papel intrínseco da ANP quer na vida e na condição pessoal do professor, quer na sua profissão docente, justificam e fundamentam a sua existência enquanto Associação, cabendo-lhe uma missão e um espaço difíceis de cumprir e ocupar, que devem merecer por parte de todos nós, desde simples associados, a dirigentes regionais ou nacionais, uma firme vontade de lutar em prol do nosso ideário associativo, não mais perdendo tempo com questiúnculas e minudências que por vezes só servem para nos desgastar, nos distrair ou mesmo nos afastar dos nossos verdadeiros princípios e objetivos.
  • Revisão e atualização dos Planos de Estudos, no que respeita à Formação Inicial, atualizando conteúdos, bem como os perfis de competências gerais a conseguir, dentro de cada Saber, Especialidade, Disciplina, ou Grupo de Recrutamento. Não abdicamos também de propor que faça parte do curriculum de todos os Cursos a aquisição de conhecimentos concetualmente fundamentados visando a opção por uma Escola verdadeiramente inclusiva.
  • O sistema educativo encontra-se hoje inquinado por um tipo de Gestão Escolar estranha, que não tendo uma etiologia nem democrática nem transparente... [ E que se afastam cada vez mais da condição e da identidade de professor, corporativando-se na ANDAEP-Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas) e na ANDE (Associação Nacional de Dirigentes Escolares).]
  • Urge também e sobretudo não perder o rasto à indagação e preocupação constantes sobre os fatores responsáveis pelo mal-estar da classe docente, que desaguam lenta e caladamente em stresse profissional, agudizado mesmo no burnout de alguns

Objetivos da Associação Nacional de Professores: pontos-chave do sucesso docente, discente e comunitário.

  • Não é por falta da definição dum Rumo, ou por ignorância das nossas Coordenadas, que poderíamos justificar no futuro a nossa possível apatia, a nossa falta de empenhamento, ou mesmo o nosso fracasso!... Na verdade o caminho do nosso sucesso encontra-se muito bem definido e plasmado nos Objetivos da Associação Nacional de Professores, que fazem parte integrante dos seus Estatutos, aprovados no último Congresso de 03 e 04 de Julho de 2010 ( Art.º 3º),
  • “Então e sendo assim...só há que prosseguir em frente!”

 

 

Moção C- Paula Carqueija e outros

  • Se hoje estamos aqui num processo eleitoral, este não é seguramente decorrente de qualquer instabilidade da direção, mas sim fruto de um reconhecimento público e político da preponderância na área educativa do anterior presidente.

Centramos a nossa moção em seis eixos

  • 1 Autorregulação da profissão docente
  • 2 Formação contínua
  • 3 Protocolos sociais
  • 4 Plano jurídico
  • 5 Acesso à carreira docente
  • 6 Ação Associativa (sustentabilidade)
  • Alicerçarmo-nos no profícuo trabalho desenvolvido ao longo dos vinte e sete anos de vida da ANP e dar continuidade à moção de estratégia aprovada o ano passado, no XI Congresso, realizado em Julho.

 

MEMORANDO

 

Recordo aqui extrato dessa moção aprovada no XI Congresso: «Queremos ser os impulsionadores de uma nova profissionalidade, os portadores da tal chave de ouro para a abertura de um renascimento da profissão docente» João Grancho e outros, Moção B “A Mesma Associação, Novos Horizontes”

Concluo expressando:

- Por vezes, nas Organizações, as lideranças são carismáticas e centradas de forma exacerbada numa só figura ou génio, que tal como o Sol ardente, ofusca a Lua e todas as outras estrelas, que nem por isso deixam de existir e cintilar... ou então que tal como o eucalipto, que rapidamente se impõe pela sua beleza e imponência na floresta, ainda que à custa de deixar à míngua da água tantas outras plantas mais rasteiras, que nem por isso deixam de sentir e verdejar...

- A ANP, ao longo dos anos, beneficiou ou padeceu desse tipo de lideranças, assente em figuras ou génios, ainda que não sobrenaturais e por isso mesmo com virtudes e defeitos,  como o foram Lemos Damião e João Grancho!

- É tempo de a ANP assumir outro tipo de liderança, assente numa “Equipa Inclusiva”, em que todos os seus elementos se sintam simultaneamente enriquecidos pelas suas diferenças, como estratégia de procura das melhores opções e de sucesso.

- De forma inequívoca e enérgica, na Moção C de “Paula Carqueija e outros”  é afirmado o seguinte:

«A coesão desta equipa permite-nos ultrapassar as inquietações e acreditar nas convicções encetadas, colocando os professores e a educação em primeiro lugar.»

Ora porque acredito  na coesão inclusiva desta Equipa ... congratulo-me pela sua candidatura e presto-lhe todo o meu apoio e colaboração.

                                                                                                                                                        Eduardo Alves (Braga, 14 de Janeiro de 2012)

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publicado por eduardus às 23:39

XII CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PROFESSORES: Braga, 14 de Janeiro de 2012.

Domingo, 08.01.12

A MINHA MOÇÃO:

 

 

“Então e sendo assim...só há que prosseguir em frente!”

 

1- Papel da Associação Nacional de Professores- ANP.

 

As Organizações Sindicais espalham-se pelo espectro político-partidário do Mundo, da Europa e do país, federando-se em Centrais Sindicais onde os interesses dos professores nem sempre são encarados de forma específica, mas diluídos nos interesses gerais de todos os outros trabalhadores. Assim em Portugal, à sombra das Centrais Sindicais UGT e CGTP/Intersindical, acolhem-se uma diversidade de Sindicatos representantes de trabalhadores das diversas profissões onde se incluem também os Sindicatos de Professores. Ainda que reconheçamos, no geral, a importância de todas estas organizações sindicais, constatamos, no entanto, que nem sempre os trabalhadores-docentes, versus professores e educadores se sentem protegidos e muito menos entendidos nas suas expectativas, dificuldades e sobretudo fatores de satisfação e insatisfação. É que todos os sindicatos, mesmo os dos professores, baseiam a sua ação em dois eixos ou linhas fundamentais: a Reivindicação e a Dinamização. Reconhecemos que na verdade se trata de dois eixos primordiais para a vida sindical, já que é pela Reivindicação que se luta por melhores condições nas carreiras e nas remunerações e pela Dinamização que se engrossam as fileiras com cada vez mais associados. Não enjeitamos por isso a pertinência e o mérito das diversas organizações sindicais de professores, nem tão pouco a justeza e a estratégia desses seus eixos de ação. Daí que, e ainda que associados da ANP, nos cumpra igualmente apelar à sindicalização, não ficando alheados das reivindicações, mas pinchando também para a rua e para as manifestações sempre que os superiores interesses da classe o justifique! Porém não esqueceremos, que ser professor é e exige ainda muito mais que esta reivindicação e dinamização, por mais pertinentes e justas que sejam. Ou seja não basta um bom vencimento, um bom sindicato, uma sala de aula cómoda, limpa, apetrechada, ou mesmo uma boa turma, ou até um bom horário. Ainda que (já) tivéssemos tudo isso em todas as Escolas e Jardins (e sem dúvida que não temos), mesmo assim sentíamos que algo mais ainda nos faltaria! E é precisamente na essência deste algo-mais-ainda que reside, se define, se justifica e mesmo se fundamenta a Associação Nacional de Professores. O seu papel é essencial na vida dos professores, ficando-lhe reservados outros eixos, linhas ou objetivos, também fundamentais, de entre os quais se alavancam um de natureza social, cultural e mesmo lazer e outro de natureza ética e deontológica, assente na autorregulação da profissão docente. Estes eixos ou objetivos, em especial o da autorregulação da profissão, não têm merecido a preocupação bastante das organizações sindicais, que por vezes os encaram mesmo como uma ameaça à sua própria existência. Ora nada mais de errado, a profissão docente precisa de todos, Sindicatos e demais Associações Profissionais de professores, não sendo necessário, recomendável, ou mesmo admissível que uns e outros estejam condenados a porem-se de candeias às avessas. A ANP tem assim um papel social, cultural, de lazer e mesmo humanitário na vida dos professores, valorizando e preocupando-se com o seu grau de satisfação/insatisfação, quer em relação ao seu trabalho docente, quer em relação à própria organização escolar. A ANP preocupa-se e debita assim a sua ação no interior do próprio professor, ou seja nas suas próprias características, necessidades, frustrações, anseios e expectativas pessoais, familiares, sociais e cívicas. A matriz da ANP é assim intrínseca ao próprio professor, enquanto profissional e cidadão, mas derrama-se igualmente no interior ou no miolo da própria profissão docente, através do seu lema histórico e constante ao longo dos anos, em prol de uma Ordem dos professores, de um Código Deontológico ou, nos tempos atuais, de uma Autorregulação da Profissão Docente.

 

2- Mais responsabilidade e participação.

 

Estes papeis intrínsecos da ANP quer na vida e na condição pessoal do professor, quer na sua profissão docente, justificam e fundamentam a sua existência enquanto Associação, cabendo-lhe uma missão e um espaço difíceis de cumprir e ocupar, que devem merecer por parte de todos nós, desde simples associados, a dirigentes regionais ou nacionais, uma firme vontade de lutar em prol do nosso ideário associativo, não mais perdendo tempo com questiúnculas e minudências que por vezes só servem para nos desgastar, nos distrair ou mesmo nos afastar dos nossos verdadeiros princípios e objetivos. Ora isso é quanto mais grave, quanto as mudanças dos últimos anos operadas nas escolas, que obrigam os professores a um horário de trabalho onde as horas não são respeitadas, nem os fins-de-semana nem por vezes a própria noite. Há por isso mesmo que fazer nas Escolas uma separação e uma opção entre o essencial e o supérfluo, entre o útil e o nocivo, entre o que realmente faz falta e o que só é feito por burocracia, por medo, excesso de zelo ou mesmo indefinições ou falta de orientações. É por esta razão que a fatia de tempo, ainda que pequena, que se presta ou se dedica à ANP, quer nos órgãos das Secções, quer nos Nacionais, é quase sempre sinónimo dum sacrifício extra escola, extra família e mesmo extra capacidade e força pessoais (overload). E não esqueçamos que as consequências nefastas para os docentes da reformulação da rede escolar, em especial no 1º Ciclo, que foram sentidas com mais intensidade no interior norte do país, aonde hoje poucos responsáveis ainda enxergam o sacrifício sobre-humano de muitos colegas nossos, alguns dos quais com um vintena de anos de serviço, que se têm que deslocar centenas de quilómetros por dia nas nossas estradas para irem lecionar...e que ultimamente ainda viram a sua situação ainda mais agravada com as portagens nas autoestradas! Ora toda esta constatação obriga-nos, por um lado, a um maior rigor na gestão, valorização e aproveitamento das reuniões, mesmo as do Conselho Nacional, de forma a que deem os frutos esperados e atinjam os seus objetivos preconizados, mas, por outro lado, a sabermos também aproveitar aqueles de nós que possuam mais disponibilidade e possam dar mais tempo à Associação. É neste enfoque que realçamos aqui o papel dos professores jubilados, que não devem abster-se ou ter qualquer complexo em participar ativamente na vida e nos destinos da Associação, já que muitos deles tiveram a sorte de se reformarem numa idade condigna, ainda plenos de genica física, intelectual e mesmo pedagógica. A Associação certamente que os acolhe e respeita, mas, e uma vez que já não poderão sofrer represálias, têm eles que ser a nossa força de Veteranos, dando a cara questionando e opinando sobre os erros de palmatória de algumas medidas das reformas escolares dos últimos tempos. Não podem nem devem por isso mesmo desertar, virar as costas, ou mesmo ignorar a escola, porque o exercício da profissão docente ao longo dos anos, causa e faz nos professores um imprinting tal, que jamais permite, a não ser por patologia, que se alheiem da verdadeira essência do Ensino e da Educação.

 

3- Questões (mais) prementes.

 

As exigências e o contexto político-social dos tempos que correm, não permitem que a ANP esqueça ou abdique duma competente e estratégica relação com as organizações sindicais, na reivindicação dum estatuto remuneratório e duma carreira docente justa, assentes no reconhecimento social e cívico pela profissão docente. Mas igualmente não deve a ANP desvalorizar outros problemas intrínsecos aos próprios professores, à própria profissão ou à própria escola, considerando-os como questões menores ou secundárias. E de entre todas, destacamos pela sua premência:

 • Revisão e atualização dos Planos de Estudos, no que respeita à Formação Inicial, atualizando conteúdos, bem como os perfis de competências gerais a conseguir, dentro de cada Saber, Especialidade, Disciplina, ou Grupo de Recrutamento. Não abdicamos também de propor que faça parte do curriculum de todos os Cursos a aquisição de conhecimentos concetualmente fundamentados visando a opção por uma Escola verdadeiramente inclusiva. Obviamente que isso implicará o conhecimento reflexivo dos diversos normativos legais, princípios, orientações, estudos, recomendações, declarações e proclamações, não só a nível nacional, como a nível europeu ou mesmo universal.

• No que concerne à Formação Contínua, é não só necessária uma atualização constante ao nível técnico, didático e científico dentro de cada Grupo de Recrutamento, mas também que se contemple temas gerais que se entrosam por todos os docentes, como sejam os ligados à Ética, à Deontologia e à própria autorregulação da profissão docente.

• Tendo como ponto de partida uma conceção assente em professores tendencialmente práticos, reflexivos e colaborativos, fomentar a abordagem e a troca de experiências e saberes sobre algumas áreas de preocupação global, como seja a Avaliação, o Zelo e o Desempenho, a Organização da Prática Pedagógica, a Mediação de Conflitos, etc.

• O sistema educativo encontra-se hoje inquinado por um tipo de Gestão Escolar estranha, que não tendo uma etiologia nem democrática nem transparente, corresponde antes aos interesses do municipalismo e seus intuitos partidários locais, bem como a ambições por vezes revanchistas das próprias associações de pais e encarregados de educação. Trata-se duma gestão assente numa só pessoa, figura polémica cada vez mais distante física e pedagogicamente das escolas e dos professores, mas que em tudo manda, que tudo nomeia e exonera e que constitui uma das maiores aberrações da Educação atual, permitindo-se, por vezes, a situações de autêntico despotismo escolar, que nem ao nível regional ou nacional são monitorizadas ou supervisionadas. O designado Diretor concentra na sua pessoa e de forma ambígua três dimensões de poderes, ou competências, que se deveriam manter e permanecer independentes entre si: o executivo, o pedagógico e o disciplinar. Ora é urgente que as Escolas e Centros Escolares usufruam, ainda que somente ao nível pedagógico, duma outra forma de Organização Escolar da responsabilidade dos seus próprios docentes, para que entre si discutam, reflitam, inovem, arrisquem, experimentem, corrijam, divulguem! É que, neste atual sistema de gestão, nem o próprio Conselho Pedagógico do Agrupamento Escolar possui a necessária autonomia e a fundamental liberdade de opinião e de decisão pedagógicas, já que é o próprio Diretor quem a ele preside e que nomeia, exonera e substitui todos os elementos dele constituintes. Apesar de possuir alguma reconhecida eficácia ainda que meramente administrativa, trata-se assim dum modelo de Gestão Escolar que nos castra e envergonha a todos, enquanto educadores e professores. Certamente que este modelo de gestão e administração escolar esbarra filosoficamente com a própria autorregulação da profissão docente, mas importa sobretudo que não permitamos que ele se torne ainda em algo de mais polémico e aberrante, travestindo-se duma pseudoautonomia local. É importante que se reflita que, também em Educação, qualquer forma de Autonomia só deverá ser atribuída se não prevalecerem quaisquer dúvidas de se ter já chegado a um patamar mínimo de maturação sociocultural, política e educativa nas Escolas, ou caso contrário a cita Autonomia poderá é ser sinónimo de abandono e desresponsabilização regional ou nacional. Daí que seja importante não aceitarmos uma autonomia escolar ambígua, que nos seja imposta por mero decreto.

• Urge também e sobretudo não perder o rasto à indagação e preocupação constantes sobre os fatores responsáveis pelo mal-estar da classe docente, que desaguam lenta e caladamente em stresse profissional, agudizado mesmo no burnout de alguns, que se desgastaram e exauriram de forma patológica e que se martirizam por vezes durante anos a si próprios e às famílias...

 

 

4- Objetivos da Associação Nacional de Professores: pontos-chave do sucesso docente, discente e comunitário.

 

Não é por falta da definição dum Rumo, ou por ignorância das nossas Coordenadas, que poderíamos justificar no futuro a nossa possível apatia, a nossa falta de empenhamento, ou mesmo o nosso fracasso!... Na verdade o caminho do nosso sucesso encontra-se muito bem definido e plasmado nos Objetivos da Associação Nacional de Professores, que fazem parte integrante dos seus Estatutos, aprovados no último Congresso de 03 e 04 de Julho de 2010 ( Art.º 3º), donde nos apraz e cumpre transcrever:

« Constituem Objetivos da Associação:

1. Promover a formação, qualificação, valorização e desenvolvimento científico, pedagógico, didático, cultural, social e profissional dos educadores de infância e dos professores.

2. Lutar pela melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem e pela dignificação do professor e da carreira docente.

3. Pugnar pela autorregulação da profissão docente.

4. Apoiar e promover a realização de ações que contribuam para a dignificação da pessoa humana, objetivo essencial de todo o processo educativo.

5. Pugnar pelo efetivo exercício do direito dos portugueses à educação.

6. Empenhar-se na defesa e na aplicação do princípio da liberdade de ensinar e de aprender nos termos constitucionais.

7. Desenvolver ações de cariz social, cultural, lazer e humanitário atinentes a apoiar os docentes em geral e os seus sócios em particular.» (Art.º 3º dos Estatutos da Associação Nacional de Professores.)

 

Ora acreditamos que é na luta pela consecução destes Objetivos que estará o sucesso não só da ANP, mas também da Educação em Portugal, já que eles constituem em si mesmos os pontos-chave do sucesso educativo, não só dos alunos, mas também dos professores e de toda a comunidade.

Então e sendo assim...só há que prosseguir em frente!

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publicado por eduardus às 00:54

NATAL 2011

Domingo, 18.12.11

NATAL... claro que sim,

mas que é feito do Menino?!

Oh são tantos os herodes que o perseguem,

que O escondem de outros meninos

e que o trocam por esse boçal gorduchão das barbas brancas!

Porque terá deixado de luzir a tal Estrela?!

Oh, são  tantos os que a não olham mas a desprezam,

na euforia de navegações  sem fios em busca de outros azimutes,

preterindo a Estrela guiadora a Belém  por um mero GPS!

E onde estão os tais Reis Magos?!

Oh, coitados,

foram destronados, já não têm coroa,

já não vestem púrpura, nem montam em camelos,

são republicanos, são capitalistas,

são parlamentares, são colarinhos-brancos,

viajantes de secretária sexy em avião,

o ouro de outrora,

a prata e a mirra,

foram trocados por cartões de crédito de saldo sem limites,

que pagam hotéis,

boites, orgias e  vícios sigilosos!

E...e pastores?

Já não há pastores,

mas exploradores de ovelhas e seus cordeiros,

que já não saltam a serra no pasto natural, 

mas  que engordam nas rações das cercas e currais!

E Maria e José?

Poucos se interessam e os procuram,

vagabundam por aí  quais loucos inseguros,

por lhe retirarem o Menino

e O terem levado para uma Instituição!

E, diz-se até...

que foi a Proteção de Menores,

os psicólogos, os professores,

os médicos e os técnicos,

que os acusaram por negligência e maus tratos ao seu Jesus,

por terem deixado nascer numa manjedoura,

no meio do bafo dum burro ruço e peludo

e duma vaca amarela remoendo baba e feno!

Ah, Jesus, Menino de ontem,

quantos por ti choram,

quantos por ti brilham,

quantos por ti sofrem,

quantos por ti amam!

E são tantos, tantos, 

os que Te trocam,

os que Te vendem,

os que Te esquecem,

os que Te ignoram!

Gentes e povos deturpados,

destroçados,

explorados,

adulterados,

drogados,

patricantes do nihilismo,

licenciados em paganismo,

mestres e doutores em falso altruísmo!

Soem as trombetas,

exibam-se bandeiras e estandartes

e grite-se bem alto as Santas Festas,

na simplicidade, no amor e na prosperidade!

E apele-se aos senhores do Mundo

que considerem Jesus-Menino,

Património da Humanidade!...

Que lhe devolvam o seu Natal,

a sua família, a sua verdadeira Identidade,

a sua Mensagem, o seu Amor e Verdade,

expulsando do seu santo nascimento,

tantos vendilhões,

tantos pais-natais barrigudos,

consumistas,

barulhentos,

e com maus comportamentos!...

Natal, oh sim,

que venha mesmo o Natal,

pleno daquele amor,

luz e calor,

seguindo a tal Estrela no além...

como há dois milénios em Belém!

 

 

 

 

(Bem hajam!

E Boas Festas para todos:

para os meus familiares,

amigos, colegas e conhecidos!

Quanto aos inimigos... se os tiver, tréguas para eles:

sim, porque o tempo é de amor, de paz e liberdade!)

 

 

 

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publicado por eduardus às 23:18

CRÓNICA de democracias, de políticas e de outras merdas e utopias!

Terça-feira, 15.11.11

 

Há certas coisas que, desculpem talvez a minha ignorância, não entendo e que me custam muito a digerir, ou seja a aceitar, a ultrapassar, a arquivar... Gostava mesmo que alguém por aí, que quisesse e que estivesse disposto a ajudar-me nesta reflexão, vertida neste blogue ao fim dum dia chuvoso e duma tarde insossa, que fizesse o obséquio de o fazer. Sempre tive por lema que quem mais nos ajuda a crescer cognitivamente não são os que –porventura amigos- nos dão razão em tudo! Não, sem dúvida que aqueles que me contestam de forma frontal e mesmo enérgica, são os que mais me ajudaram na vida. É que foi a partir da sua contestação – umas vezes boa e outras vezes péssima ou mesmo invejosa- que eu tive que escalar pela vida fora, muitas vezes esgrimindo e investigando argumentos novos, mas outras vezes também – e muitas! – abraçando de bom grado a razão dos outros! Hoje apetece-me, vejam lá, pôr em causa uma coisa, que pouca gente ousa questionar... Trata-se –imaginem lá! – da própria DEMOCRACIA:

 Será que será mesmo a melhor forma de governar um país? Será que será o sistema que mais garantias dá, nos dias de hoje, aos cidadãos, nomeadamente aos mais desfavorecidos? A Democracia não será no fundo, bem no fundinho, uma enorme utopia? Será que há mesmo Eleições livres? (Por livres entendemos eleitores conscientes, esclarecidos, de boa fé, com Princípios...) Não será a Democracia, por aí, uma ENORME MÁQUINA DIABÓLICA que consome a maior parte do suor dum Povo, pseudo-livre, esfomeado, explorado, escarnecido, enganado, traído, escorneado?!... Haveria necessidade de tanta GENTE DESSA POR AÍ, que, no fundo, nada ou pouco fazem, discutem umas larachas, pagam-nos o que querem, sugam-nos o sangue, aumentam-nos aos impostos e transformam-se num FARDO PESADÍSSIMO para o próprio Estado?! Ainda por cima que...possuem uma característica, que nega a própria Democracia, que é a chamada SUCESSÃO, que não sendo por descendência direta versus sangue, é feita por Lobies (sim Lobies!), ou então por uma subida na carreira política onde tudo vale e é permitido e onde para olhar aos fins... não se valorizam os meios! A Política é onde raramente se fazem amigos, onde, com frequência, as lideranças, as traições, o burburinho e as jogadas maquiavélicas abundam, qual rango em prado inculto, ou qual nuvem de mosquitos em vinhaço de vindima!

Quanto a mim, simples cidadão, começo a pensar que, historicamente falando, não terá sido a Democracia que trouxe ao Mundo e aos Homens um maior desenvolvimento, um maior progresso, ou mesmo uma melhor satisfação das suas necessidades. Recordando a própria História de Portugal... qual terá sido a época histórica em que as pessoas foram mais felizes? Em que houve uma maior equidade, distribuição de riqueza e desenvolvimento global? Terá sido com a Democracia, versus com a República? E nos outros países, França, Alemanha, Inglaterra, Espanha... terá sido com os Regimes Democráticos que se conseguiram as grandes expansões, os maiores desenvolvimentos, os melhores estudos, as melhores artes e letras, as melhores descobertas, as maiores riquezas?

Muitos perguntarão – talvez!- que diabo de bicho me mordeu! Que diabo de pancada é que dei, ou mesmo porque me saltou assim o capacete e deitou cá para fora todas estas lamúrias, dúvidas, questões, ou mesmo...vómitos! Então – dirão alguns – ele (eu) não é Socialista? Não é filiado quase há trinta anos? Não esteve ele no 25 de Abril de 74 com uma arma na mão, fazendo parte daquele grupo de militares da então EPAM, que tomou de assalto a RTP nos estúdios do Lumiar? Sim é verdade –assumo eu,  mas isso que tem a ver? Por acaso o Socialismo só existirá em Regimes ditos Democráticos? Por acaso o Partido Socialista não será já anterior à própria República? Por acaso ser republicano é sinónimo de ser socialista? E ser socialista é forçosamente ser (também e obrigatoriamente) republicano? Perguntas para boi dormir, dirão alguns, existencialistas, dirão outros. Mas enfim...

Estas minhas dúvidas (democraticamente estupidificadas) já há muito que me têm assaltado! Confesso mesmo que as tenho calado no profundo do meu ser, amarfalhando-as lá bem para baixo, como que a dizer-me “envergonha-te, isso não se discute! É tabu!” Porém, ultimamente, houve duas situações, que me deixaram ao rubro e daí...ter-me mesmo “saltado a tampa!”:

 A primeira coisa foi o tão falado e nado-morto  REFERENDO na Grécia. A Europa toda entrou em pânico por causa desse hipotético referendo na Grécia! E eu por cá, ingénuo q.b. (quanto baste!), não estava a discernir a razão de todas aquelas campainhas de alarme europeias! E só depois é que vim a entender...E confesso que senti-me mesmo revoltado! Então não é que esta cambada maluca de democratas duma figa desta fatiada Europa, aquilo que temiam é que o POVO da Grécia colocasse em dúvida as políticas que estão a ser implementadas, bem como que pusesse em causa a própria União Europeia e a sua moeda do Euro! Homesta – espantei-me eu!- então esta gente não é Democrata? Então, se o POVO GREGO, de forma democrata, livre, transparente, esclarecida e (mesmo) revolucionária, decidisse uma outra forma de ser governado, de se desenvolver intrínseca e exteriormente e de preservar a sua cultura, a sua juventude, as suas gentes, as suas riquezas e património, haveria algum mal nisso? Não seria um AVANÇO e uma CONQUISTA DEMOCRÁTICA para eles próprios, para a Europa e mesmo para o Mundo? Então, porque logo os mandões da Europa, os remendões das crises, os TROIKAs, os FMIs, os BCEs e outras Organizações Democratas (??) entraram em pânico e não deixaram que o referendo se efetuasse? QUEM tinha medo dele? QUEM temeu afinal a OPINIÃO do POVO? E isto é DEMOCRACIA? Então esta GENTE ousa continuar a GOVERNAR e a DECIDIR os destinos dum país ou duma nação, mesmo estando conscientes que a VONTADE do POVO (JÁ) não é ASSIM ou já não é  AQUELA? Mas, que diabo de Regime é este? Democrático? Uma ova!!

A segunda situação é nacional, mas nem por isso, me parece menos burlesca. Trata-se da votação do Plano e do Orçamento Geral do Estado. O que mais me surpreendeu, de toda aquela panóplia de argumentos e discursos de papagaios-de-papel -   espantem-se!-  foi as treze Declarações de Voto do Partido Socialista! Mais ou menos todas essas competentes e pertinentes (?) Declarações diziam a mesma coisa, por sinal absurda ao nível ético: “era para votar contra... mas, em nome da DISCIPLINA DE VOTO, abstive-me!” Mas qual DISCIPLINA DE VOTO, ou qual carapuça?! Ó meus senhores, envergonhem-se! Essa coisa da DISCIPLINA DE VOTO, é admissível talvez, mas sim a NÍVEL INTERNO ou seja no INTERIOR do próprio Partido. Aí, sim senhor, que haja forte discussão interna, pesando todos os PRÓS e CONTRAS, limando as arestas e procurando a solução ou a QUALIDADE do voto que melhor sirva a estratégia do país, em primeiro lugar, e depois do próprio Partido... tudo bem! E que se procure uma votação final consensual entre todo o Partido... ainda melhor! Mas a dita DISCIPLINA DE VOTO, nunca deve ser invocada EXTERNAMENTE ou, pior ainda, PUBLICAMENTE para justificar o voto de cada Deputado! Isso NUNCA! Confesso que não entendo essa justificação, nem democraticamente e muito menos eticamente! Admito essa DISCIPLINA DE VOTO como estratégia política interna, mas nunca devendo ser INVOCADA PUBLICAMENTE. Penso que o Deputado eleito tem um mandato PARTIDÁRIO, é certo  e nesse sentido deve procurar ao nível interno intervir e procurar coesão grupal e partidária. Mas o mandato do Deputado é também de natureza REGIONAL e sobretudo PESSOAL. Daí que, as dimensões regional e pessoal também deverão estar presentes, na hora de erguer a mão e... votar! E é óbvio que, havendo discordância opinativa  e de peso entre as três dimensões (partidária, regional e pessoal) que o Deputado deva procurar uma saída, isto é uma qualidade de voto, de forma a não trair nenhuma delas! Daí que... ocupem um lugar muito especial na torre de menagem da minha admiração pessoal, alguns Deputados, que por razões regionais ou mesmo de consciência pessoal, mandaram às malvas a DISCIPLINA DE VOTO e votaram diferente do Partido! Manuel Alegre, Daniel Campelo, Guilherme Silva, o próprio António José Seguro são exemplos disso! Mostraram com isso serem muito HOMENS, porque em nome dessa coisa da DISCIPLINA DE VOTO, não prescindiram das suas próprias ideias, das suas próprias opiniões, das suas expectativas e anseios regionais e da sua própria... CONSCIÊNCIA DEMOCRÁTICA! E, meus Senhores, um Deputado sem esse tipo de consciência é (desculpem a dureza!) um prostituto! Ainda que - dirão alguns- um NOBRE prostituto, porque se prostituiu mas ao seu póprio Partido! Uma ova, digo eu mais uma vez! É que o POVO, a POLÍTICA, a DEMOCRACIA ou mesmo o PARTIDO SOCIALISTA necessitam é de acabar de vez com todos os prostitutos...por mais NOBRES que eles o sejam ou que o pareçam!

 

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publicado por eduardus às 19:43

Seguir em frente!...

Terça-feira, 08.11.11

Temos que continuar o nosso caminho,

seguindo em frente, sempre em frente,

em busca dum novo percurso,

com Novas Coordenadas,

que garantam o Pão, a Paz, o Amor e a Liberdade!

 

Sabemos que não será fácil...

num Mundo Autista,

de Globalização,

de Discriminação e Descriminação...

Na verdade,

cada qual só pensa primeiramente em si,

discriminamos os mais fracos,

os mais longínquos,

os menos estudados,

os mais honestos,

os mais simples!

Mas pior ainda... descriminamos:

branqueamos os crimes grandes,

aqueles enormes,

que envolvem advogados e mais advogados,

aparatos e mais aparatos,

televisões e mais televisões,

escutas e mais escutas,

corrupções e mais corrupções...

Mas criminamos os puros,

os ladroezinhos de comida,

os incautos aos radares,

os que estacionaram à pressa,

os simples,

os fracos...

 

Sabemos que é difícil...

distinguir o Bem do Mal,

o Trigo do Joio,

a Verdade da Mentira,

o Amor da Traição,

a Liberdade da Libertinagem,

o Sonho da Utopia,

o Perdão da Vingança,

o Dia da Noite,

as Trevas da Luz!...

 

Mas,

e apesar de tantas dificuldades,

de tantas dúvidas...

temos que continuar o nosso caminho,

em busca dum novo percurso,

com Novas Coordenadas,

que garantam o Pão, a Paz, o Amor e a Liberdade,

para todos,

obviamente que para todos:

sem distinção, discriminação ou descriminação!

 

Conto consigo,

colega ou superior,

homem ou mulher,

companheiro ou camarada,

nesta luta pelo Pão, Paz, Amor e Liberdade,

ninguém pode desistir, nem desertar,

temer ou tremelicar,

sucumbir ou recuar,

consentir ou vacilar,

prescindir ou dispensar...

 

Há que traçar os azimutes,

que encontrar com rigor a latitude e a longitude

das nossas Novas Coordenadas,

que garantam o Pão, a Paz, o Amor e a Liberdade para todos,

é que...rostos famintos mirando riquezas,

nunca deram a garantia,

de acalmia,

de sonhos ainda que na utopia,

de sorrisos abertos mesmo à luz do dia!

Trouxeram sempre

e para a tona da água,

o ódio, a revolta e a mágoa,

a fome...em vez do Pão,

a guerra...em vez da Paz,

o ódio... em vez do Amor,

o degredo...

o medo...

o segredo...

o enredo...

em vez da Liberdade!

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publicado por eduardus às 22:34

Crónica do Pincharrabelhas!

Terça-feira, 01.11.11

 

Chamo-lhe(s) Pincharrabelhas... Trata-se dum tipo de putos problemáticos, malcriados, que de quando em vez aparecem pelas Escolas e que se comportam como alunos terríveis. Escavacam a cabeça aos professores, que durante todo o dia, apelam vezes sem conta para que se sentem, que deixem o colega em paz, que falem na sua vez, que não façam barulho, que... que... que...Ao longo das gerações este tipo de aluno foi evoluindo e tornando-se cada vez mais resistente aos bons conselhos, às boas práticas e às admissíveis pedagogias. E modernamente... é cada vez mais difícil lidar com ele, porque sente “as costas quentes” pelo pai e pela mãe lá em casa, que lhe fazem as vontadinhas todas, desde a madeixa no cabelo, ao pingarelho de ouro nas orelhas, bem como aos jogos do computador, a tudo e mais que tudo! Aqui há alguns anos, já abundava este Pincharrabelhas pelas escolas de algumas das nossas aldeias. Na altura apresentavam um ar já um tanto espigadote, por vezes com mãos já calejadas, cadernos e livros sujos e amarrotados. Normalmente gozavam com todos, em especial com a professora, sobretudo se jovem e ingénua... Com frequência se negavam a entrar na sala, mas nunca abandonando o espaço escolar, dando assim espetáculo da janela, com caretas e risotas para os colegas. Punham os cabelos em pé aos pobres mestres escolas... que por vezes não tinham outro remédio senão correr as persianas (laminadas de pó) e fazer com que toda a turma os ignorasse! Eram normalmente malcriados, insolentes, mordazes nas palavras e nos gestos e sobretudo conhecedores do espaço em volta da escola, para onde se refugiavam nas matas ou vinhas, quando os professores, já exaustos os tentavam apanhar e reintroduzir na sala de aula!  Estas situações,  para muitos absurdas, se acontecessem nos dias de hoje... despoletavam de imediato carradas de folhas A4 em relatórios, elaborados por professores, psicólogos e mesmo médicos e o caminho provável seria o consumo de doses e doses de Ritalina para que sossegassem... Pessoalmente, ainda hoje tenho muitas dúvidas sobre os (bons) resultados de toda esta moderna intervenção, ainda que em Equipa Multidisciplinar!  Na altura – há cerca de vinte anos– não era assim! O único remédio utilizado (eficaz desde que se justificasse e desde que tivesse uma posologia pontual) chamava-se “lambadoterapia”. E garanto-lhes que resultava em cheio, porque a etiologia do Pincharrabelhas assenta (tal como hoje) sobretudo em falta de educação em casa, em ser criado ao deus-dará, sem lei nem roque, sem eira nem beira e sobretudo em crescer mimado, toda a gente em casa lhe “dando o respetivo desconto”, porque o menino “já em pequenino quando se enervava, se espolinhava no chão e ficava mais vermelho que um tomate!”

Lidámos com alguns destes Pincharrabelhas , ao longo da nossa vida escolar. Recordo-me de alguns que encontrei em  Escolas de aldeias empinocadas  no Alvão, ou noutras afundadas e rentes ao Douro. Os então Pincharrabelhas revelavam-se quase sempre na segunda ou terceira semana de aulas, quase sempre por ocasião de apresentar o primeiro trabalho de casa:

-  Não fizeste o que te marquei para casa, porquê? Era difícil? Mas era tão pouca coisa!!

-...

-  Não respondes? Estou a falar contigo! Eram só três linhas para copiar, duas vezes cada palavra difícil e leres a lição duas ou três vezes... achas que era muito?

- ...

- Não te envergonhas? Olha para os teus colegas... todos fizeram! Bem ou mal, mais perfeito ou menos perfeito, mas todos se lembraram durante o fim de semana de fazer isso. Agora tu... de certeza que chegaste a casa, que arremessaste com os livros para um canto e tornaste a pegar neles hoje de manhã! Não foi?!...Não respondes?

- ...

- Bem que seja a última vez que isto acontece! Já és crescidinho e já sabes que a Escola é para estudar! Que seja a última vez, ouviste?! Senão... vamos ter que nos chatear a sério...vou ter que chamar cá o teu pai e a tua mãe e vai ser uma chatice depois!

 

Gozão duma figa! Ainda se ria para o lado, dizendo que “o pai e a mãe que não lhe batiam e que quem mandava lá em casa era ele”. E dizia para os colegas que “tinha lá uma navalha em casa e que a ia trazer” e que “desgraçado daquele que o desafiasse...punha-lhe logo as tripas ao sol!” Às palavras do professor, só respondia com o amuo. E fazia de conta que não o ouvia, nem era nada com ele! Mas notava-se que tinha ficado ofendido na sua valentia estúpida e que em breve necessitava de reconquistar o seu estatuto de valentão perante os colegas, o que acontecia logo de seguida no recreio. Pontapeava um ou mais dos seus colegas mais franganotes, que entravam espavoridos na sala de aula segurando uma maçã meia rilhada numa mão e exibindo um rosto choramingão que misturava lágrimas, saliva, pão e restos de maçã numa língua a balbuciar queixinhas pela surra! E, no final do recreio... todos entravam na sala, mas o Pincharrabelhas... esse não! Quedava-se a um canto, desafiador e pronto a escapulir-se mata fora. O espetáculo ia começar e toda a turma já sabia que ia assistir mais uma vez às cenas tristes do “rei-capitão, aluno-valentão” O professor a chamá-lo para a sala de aula e ele a dizer “não vou!”. O professor a dizer que então se fosse embora para casa e o Pincharrabelhas a dizer mais uma vez “não vou!” E não ia mesmo! Fechava-se a porta, não se fazia caso dele, mas em vão, arrumava pedras e areias para os vidros, mostrava a carona gozadora pelas janelas, pondo toda a classe em sobressalto e em alvoroço! Era mesmo um fadário e sobretudo uma situação escolar simplesmente muito complicada! Ignorar o Pincharrabelhas era ainda pior, porque batia na porta, arrumava com pedras ao telhado e  gritava mesmo estridentemente pelo buraco da fechadura...

Mas finalmente o pano de toda esta confusão chegava ao fim...e quanto a nós tínhamos uma técnica que quase sempre resultava. Púnhamos  toda a turma a cantar,  “O Malhão”, ou o “Vira”, ou então algumas das muitas canções de roda de que tanto as crianças gostam. E, a meio da canção, escapulíamo-nos pela porta secundária do edifício e íamos pegar o Pincharrabelhas por trás mesmo pelo cu das calças! Ficava petrificado de surpresa! Utilizámos então todos os nossos  noventa quilos de força e mesmo esta particularidade de ser (fisicamente também) homem: o Pincharrabelhas era simplesmente arrastado para dentro da sala de aula, sentado à força na sua cadeira, silenciado e esbofeteado as vezes que fossem necessárias (dependia do grau e do tempo de acalmia!). Depois... bem depois era durante mais de meia hora fortemente repreendido, obrigado a ler a lição, obrigado a escrever as palavras difíceis, obrigado a ir ao quadro, obrigado a ser limpo, educado e a cumprir as regras e as ordens escolares. A turma nem tugia... estava tudo num silêncio absoluto, só mexia (provavelmente) os dedos dentro das botas ou a língua dentro da boca, mas mesmo assim... sem que ninguém se apercebesse!

Depois e quase sempre ainda nesse mesmo dia, pedia-se ao Pincharrabelhas, no final da aula, que nos ajudasse a levar a nossa pasta de professor até ao carro, ou que fosse verificar se as portas da casa banho estavam todas fechadas. Sentia-se desarmado e espantado com estes pedidos do professor...

- Pronto, mas se não me queres ajudar... tudo bem, estás no teu direito!

- Não, não, eu vou lá... eu levo-lhe a sua pasta, professor!

 

EPÍLOGO:

 

Ainda hoje, quando dou a minha “volta higiénica” pela cidade, caminhando à noite pelas ruas, pelos jardins, pelos parques, ou pelas grandes superfícies, sou por vezes abordado por jovens, alguns dos quais com trinta e tais anos...

- Boa noite, professor!

- Ena conheces-me.... mas eu não! Quem és?

- Fui seu aluno! E poucos momentos depois disparando à queima-roupa:

- Caramba o senhor era mesmo lixado!!

- Li...lixado, porquê?!

- Bolas, duma vez eu não queria ir para a sala, pus-me a fazer fosquinhas cá fora, você pôs a turma a cantar e distraiu-me! Veio cá fora, agarrou-me e arrastou-me para dentro e pregou-me cá uma trepa, que me serviu de emenda...

- Ah sim?! Não me lembro... e que achas, tive ao menos razão, ou não?!

- É claro que teve! Se não fosse você, ia ficar burro toda a vida! Eu estava a atravessar uma fase muito complicada e foi você que me pôs na linha! Você era lixado, mas um bom professor, você tinha razão!

- Ok, tudo bem. E hoje que fazes?

- Olhe sou empreiteiro da construção civil. Estive lá fora na Suíça, agora regressei e estou bem. Casei tenho dois filhos pequenos e... cá estamos! E o senhor, já está reformado?!

- Não, infelizmente ainda não!

- Caramba quem me dera que você fosse professor dos meus filhos...

- Não, deixa lá, os teus filhos estão muito bem onde estão! Boa noite, rapazão, porta-te bem!

- Que remédio, professor, a vida não está fácil!

 

É assim, uns empreiteiros de construção civil, outros advogados, outros na Guarda Republicana, dois ou três até como juízes... os Pincharrabelhas, afinal,  até têm solução, trata-se de miúdos cheios de vida, sem hábitos, sem regras, insolentes mas no fundo amorosos, que depois de dominados e de rechamados aos “carris das carruagens da Escola”, apanham o comboio, seguem o currículo e chegam (quase sempre) ao final da estação do seu destino, aptos a iniciar a vida adulta! Fez-lhes foi falta, na altura certa, que alguém sem complexos com “rigor e amor”  lhes mostrasse o caminho, sem ter medo de ser processado por inspetores, pais e encarregados de educação, doutores, psicólogos, comissões, gestões ou outros estranhos intrometidos à Educação e à Escola... A “lambadoterapia” foi para eles o sal, o elixir, ou a solução. E resultou, por isso é que e se for aplicada quando se justificar e na hora certa.... abençoada “lambadoterapia”!

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publicado por eduardus às 16:58

TROIKAdices

Segunda-feira, 10.10.11

Pouco sei de Economia, confesso. E de “défices”...muito menos, pertenço àquela camada (talvez maioritária) de cidadãos que, ao longo dos anos, se habituou a considerar os políticos e os governantes como pessoas de bem, ou se quiserem como pessoas que lutam pelo designado bem-comum! Nunca sonhei ser rico, desses alguns ricos por aí, que nem sabem quanto têm! Sempre pensei que o dinheiro na vida deveria ser q.b (quanto baste) tal como um bom azeite em cima duma boa posta de bacalhau, ou um bom copo de vinho tinto ou branco que satisfaça, mas que não nos deixe mal no balão rodoviário. Daí talvez esta falta de ambição financeira (fico-me pelo q.b.) que me leva a não jogar qualquer jogo, nem Euro Milhões, nem Totobola, Totoloto, ou mesmo Lotaria. É que o dinheiro na minha vida tem sido sempre q.b... é certo que, de quando em vez, devido aos investimentos familiares, se tem que pedir a todos os cá da casa, para evitarem despesas supérfluas...que podem definir-se com o evitar comprar mais umas calças nesse mês, em restringir ao mínimo as refeições fora de casa, ou mesmo aguentar mais uns tempos com os mesmos sapatos! Nunca, porém, se reduziu à conta do pão, nem à do leite no supermercado, nem no talho, na peixaria ou mesmo no cabeleireiro... O orçamento (familiar) foi-se sempre controlando, ainda que por vezes à tona da água.

Confesso que julgava que nas contas do Estado também seria assim, isto é, que o Orçamento sempre andaria pelo menos na linha de água, ou seja que haveria entre os governantes uma preocupação mínima garantida, que seria a de não permitir que as dívidas, versus défice, se viessem a acumular ano após ano!... Enganei-me, fui redondamente enganado nesta minha forma de pensar um tanto lírica ou mesmo ingénua!

E foi assim que, ao longo dos (últimos) anos, porém, fui dando conta que a minha Matemática simples, mas que familiarmente sempre havia resultado, não era a mesma dos nossos governantes, ou mesmo gestores. Senti que eles usavam uma outra matemática, (matemática-política) que elaborada à vontade dos seus seguidores, tinha por condão camuflar os saldos negativos, apurados pelas diferenças simples entre o Deve e o Haver. Assim, por diversas vezes na Assembleia Municipal, ficava pasmado quando, constatando com saldo negativo das contas cada vez mais agravado, ouvia referir aos políticos que a “capacidade de endividamento do Município” ainda não estava esgotada...Este novo conceito de “capacidade de endividamento” vagueava-me no pensamento, não o digerindo muito bem...para mim o cito “endividamento” não deveria ser visto como uma “capacidade” ou um “facilitador”, mas sim como um “obstáculo” ou mesmo uma “barreira” ao desenvolvimento do Município. Depois explicavam-me que havia mesmo um “índice de endividamento” constituído pela conjugação de diversas variáveis, uma das quais a existência de Empresas Municipais. E só então entendi porque tinha o meu município constituído aquele punhado de empresas municipais, ardilosamente geridas por pessoas afetas às suas cores partidárias: por um lado contentavam-se os compadres e perpetuava-se o poder, pelo outro conseguia-se a tal maior “capacidade de endividamento”. Matreirice! Chico-espertismo, diremos nós, até porque um dia qualquer haverá de surgir por aí uma quantidade de “buracos orçamentais”, que entreterá as rádios, as televisões e os jornais, mas que no fundo serão resolvidos por aumentos abismais nas faturas de serviços, que deveriam ser cada vez mais de tendência gratuita, mas bem pelo contrário. Referimo-nos especificamente à fatura da água, do saneamento ou da recolha do lixo, bem como aos impostos mais globais donde se destaca “ a derrama”, o “IMI” e outras taxas geradoras compulsivas de receita.

Corta-se-me o coração ao constatar hoje que Portugal é um país roto, isto é todo esburacado nos orçamentos, quer do Estado, quer das Empresas Públicas e Municípios. Sinceramente, não percebo como foi possível chegarmos a este estado de coisas! Há muito que fazia falta, não falar-se de “capacidade de endividamento”, mas da necessidade, ao menos, de saldos-zero.  Também sei que estas coisas foram acontecendo, qual bola de neve galopante, com défices em cima de défices, isto é, não aconteceu de repente, qual incêndio ou terramoto que em poucos segundos nos deixa na miséria!...

Como sempre, em tempos de extrema crise, acredito que as dificuldades mesmo as relacionais, ligadas ao respeito pelas liberdades e propriedades dos outros vão surgir...Tal como dizemos na descrição deste blogue , urge traçar novas coordenadas assentes em Princípios Orientadores, que nos corrijam no rumo certo ao pão-de-cada-dia para todos, é que rostos de fome a mirar farturas fazem sempre caducar qualquer garantia de Paz, de Amor e de autêntica Liberdade!. É que o problema torna-se mesmo insustentável, quando se vê e se dá conta que os sacrifícios, os cortes, a fome, o infortúnio e a poupança-forçada não atinge igualmente a todos...Por aqui e por além continuam a chegar ao nosso conhecimento fortunas, mordomias, salários milionários, devaneios e excentricidades que alguns...ainda têm o privilégio de manter! Ora e isso, cremos nós, é muitas vezes a causa da revolta de muitos, que começam a sentir no corpo a vergonha da fome, da dívida, do desemprego...

Lamentamos sobretudo as dificuldades porque passam já muitos jovens, muitos dos quais licenciados e aptos a iniciar a vida ativa profissional por que lutaram e investiram. O nosso maior medo é que, quando um dia toda esta TROIKAdice acabar, que nos vejamos confrontados com uma população de velhos jarretas, em que os jovens e seus filhos, nossas crianças, tenham emigrado e...desertado!

Então, concluímos, que o risco dos nossos jovens e das nossas crianças desertarem... é bem maior do que o próprio défice e que não, se isso acontecer, não haverá TROIKA alguma que consiga remediar essa catástrofe tremenda e traumática!

Ou seja, o pior desta TROIKAdice não é irem-se só os anéis, mas é ficarmos também sem os dedos!

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publicado por eduardus às 01:21

"A GAROTADA" _ Conselho Escolar de Gouvinhas, 94/95

Sábado, 24.09.11

Por vezes, ao arrumar uns papéis, aparecem outros. E foi assim que deparei com o jornal escolar " A GAROTADA", do então Conselho Escolar de Gouvinhas (corria o ano de 1994/1995), constituído pelas Escolas de Gouvinhas, Ordonho, Paços, Vilela e Sobrados, todas elas hoje já fechadas! "A Garotada" era um jornal Trimestral, fruto dum Projecto Educativo denominado "Escolas em Movimento". Ressalta à vista e logo ao lado da pequena coluna do "Editorial", uma curta poesia, assinada por Duredão Selva, um anagrama de Eduardo Alves, que hoje, passados 17 longos  anos, ainda me marca e que ainda subscrevo: 

              RAZÃO

 Quando,

após longa discussão

nos reconhecem Razão,

incha o orgulho, que temos,

mas nada enriquecemos!

 

Porém,

se não somos os primeiros

e a razão mora em terceiros,

aquele, que sem razão fica,

que aproveite outra mais rica!

 

Então,

será em não termos razão,

que está a nossa evolução?!...

  

Oh, não...

pois ficamos na falência,

quando temos consciência,

que nos furtam a razão,

de termos ou não razão!...

 

 

Ainda no mesmo jornal " A GAROTADA", relembro um "Pensamento", que escrevi e assinei, na pag.2:

 

          PENSAMENTO

 Os simples são grandes

na ética e na modéstia!

A arrogância e a prepotência,

são a moléstia,

da incompetência!

 

Enfim... foi assim há 17 anos, o jornal era feito já informáticamente no programa Page Maker e na altura foi um sucesso. Era lido e espalhado por todas as Escolas do Concelho (Sabrosa). E havia vários Jornais Escolares no Concelho! Assim se trabalhava nesse tempo, de forma mais simples, mais democrática e talvez mais alegre.  Porque se mudou, nestes últimos anos, para tanta coisa pior? E a quem interessaram tantas mudanças, aos professores? Aos alunos? Às comunidades?! Temos muitas dúvidas! Só sabemos, hoje, que temos saudades desses belos tempos, até dos Jornais Escolares de então, que eram muito mais que uma manta-de-retalhos ou de farrapos, com  meia dúzia de coisas que se querem mostrar para o exterior, para promover ou passar a imagem duma escola "altamente excelente", mas que por vezes...mais lembra os "sepulcros caiados" referidos por Cristo, a fazer fé nos seus Relatores, versus Evangelistas!

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publicado por eduardus às 00:22

À meia-noite dos 59...

Quarta-feira, 21.09.11
 
 

Juízo maluco e corpo maltratado,

pelas horas longas sentado,

frente ao computador.

Vida já bastante andada,

parando em cada escada,

invocando o Senhor!

 

Anos que  se amontoam

e no total já ecoam,

num murmúrio a dizer tantos!

Vida ganha, com tempo perdido

em tarefas sem sentido,

que não calam os seus prantos!

 

Orgulho do que não dei,

amores de quem nunca amei,

espinhos que me afagaram.

Prosseguirei a viagem,

nesta velha carruagem,

que os anos desgastaram!

 

Não sei onde é a chegada,

nem atendo a chamada,

de Quem de longe me liga!

Sem pressa nem azedume,

anseio menos volume,

para o ano, na barriga!

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publicado por eduardus às 00:30

CRÓNICA dos professores eletrónicos versus fast school

Segunda-feira, 19.09.11

Tal como o fast food, que tantas implicações e consequências está por aí a causar, creio que estará para breve a chegada do fast school, para gáudio de políticos, economistas e seguidores fanáticos das Troikas.  Confesso-me até com medo de falar disto...palavra de honra, não vá por aí algum tarado político aproveitar-se desta ideia e implementá-la, colocando no desemprego a maioria dos professores. Cruzes, canhoto! O certo porém é que, com o desenvolvimento imparável das novas tecnologias, aliado ao facto de, na Educação cada vez mais serem os de fora e não os próprios professores a serem ouvidos e a tomarem as decisões...estará para breve a chegada da fast shool e dos professores eletrónicos! E pensamos mesmo que esta ideia não será do desagrado de muita gente por aí, em especial de alguns pais, que vivem preocupadíssimos com a Escola, quando esta não “lhes toma conta” dos filhos quando eles vão para os empregos, logo se insurgindo contra toda a gente e exigindo medidas drásticas para que as crianças estejam cada vez mais horas na escola, não importa a fazer o quê, o importante para muitos é que estejam por lá todo o dia e se fizer falta até parte da noite...no caso dos pais que trabalham por turnos!

Ora o fast school e os seus professores virtuais ou eletrónicos vem mesmo a calhar! E estes, para os tudólogos (os tais que se julgam saber de tudo), para políticos-politiqueiros, para economistas-deficit-dependentes e para os curricólogos (mestres e doutores de gabinetes) têm inúmeras vantagens, face aos seus colegas (?) humanos:

1-     Não precisam de Universidades para se formarem, estão assim dispensados de Provas Globais de Acesso... (só aqui poupam-se já milhões de euros!!)

2-     Não precisam de ECD (Estatuto da Carreira Docente)..

3-     Também não precisam de Sindicatos...

4-     Não envelhecem, estão em constante upgrade...

5-     São inovadores, mudam, moldam-se, configuram-se e adaptam-se ao gosto e exigência dos alunos e de seus encarregados de educação... podem mudar de forma, cor, aspeto, voz, vestuário, idade e mesmo sexo. É só fazer um simples Touch e tudo aparecerá qual magia!

6-     Não faltam, não têm férias, não são roncolhas, nem resmungões, nem pigarreiam, nem tossem, têm um desempenho técnico altamente controlado...

7-     Não necessitam de nenhuma Avaliação de Desempenho, poupando ao Ministros e Secretários de Estado milhentas dores de cabeça... e milhentas horas ao erário público, gastas com esses cromos dos professores-avaliadores-relatores, diríamos mesmo cangalheiros de modelos avaliativos já revogados!

8-     Não dão dores de cabeça aos Órgãos de Gestão...basta carregar-se no ON ou no POWER...que tudo corre às sete maravilhas! No final...nem é preciso desligar, ao cabo de alguns minutos depois da aula, entram em hibernação e uma hora depois desligam-se automaticamente!

9-     Facílimos de introduzir no Sistema de Ensino: instalam-se em qualquer Quadro Interativo dos Agrupamentos de Escolas, nos portáteis dos alunos (mesmo nos Magalhães ainda sobreviventes!) ou mesmo nos computadores pessoais e familiares dos papás lá em casa!

10-  Não fazem greves nem manifestações, pelo que poupam-se mais uns largos milhões de euros, mesmo que se opte por Ministras da Educação chatas, antipáticas, impopulares e hediondas!

 

E com certeza que ninguém duvida dos milhões de euros, que estes professores eletrónicos poupam ao Estado, sobretudo nos polícias vigilantes na Baixa Lisboeta, por ocasião das manifestções e nas milhares de dores de cabeça para aturar por aí essa gentalha e seus dirigentes sindicalistas.

Mas a principal vantagem destes professores sem carne e osso, é o seu valor universal. Podem ser utilizados em qualquer país ou parte do mundo, bastando para isso introduzir neles a hora e as Coordenadas Locais, que eles configuram-se, em poucos segundos, ao país, aos programas, aos currículos, às metas da educação e mesmo aos Objetivos Gerais a atingir, sobretudo os de natureza estatística, donde se ressalta o abandono e o sucesso escolares. A nível local, também tudo está pensado, bastando para tanto introduzir o código do Agrupamento ou Escola e, quase de imediato, eles se configuram localmente, ou seja ao Projeto Educativo, ao PAA, ao PCA, ao PCT...uma coisa nunca vista, ou simplesmente um sonho que parecia impossível! Depois, já dentro de cada Turma, a eficiência é também em absoluto:

As crianças ou jovens entram na sala de aula e basta carregar no ON, que de imediato os sensores do professor eletrónico entram em funcionamento...se estiver muito barulho emite um assobio estridente que obriga toda a gente a calar-se e a quedar-se. Ao que dizem é um tipo de assobio-réplica do que utilizavam nas serras do Alvão e do Marão, há anos atrás, os pastores vezeiros, quando queriam chamar a atenção de alguma cabra tresmalhada. O então assobio arrepiante só era conseguido por pastores veteranos, que colocavam simultaneamente dois dedos na boca e empurravam a língua bem para trás, fazendo com que o ar dos pulmões fosse arremessado com violência cá para fora...produzindo-se assim aquele som de tal maneira estridente e intenso, que quem estivesse ao lado levava as mãos de imediato aos ouvidos para proteger os tímpanos! Ora este aviso de “silêncio” do nosso docente eletrónico é sem dúvida uma maravilha científica e tecnológica e poupa sem dúvida carradas de energia, como sucedia nos tempos passados com os professores-humanos, coitados, que passavam tempo infinito a chamar a atenção dos alunos, batendo palmas, batendo com a vara na secretária, berrando em voz alta e empoleirando-se muitas vezes na primeira cadeira da fila para serem atendidos...

Na sala, depois de conseguido o silêncio, procede-se à configuração do professor. Há muitas opções, depende do dia, da hora e até da criatividade de cada um. Começa-se pelo sexo, homem ou mulher? Sei que não é fácil, sobretudo em turmas de alunos espigadotes...mas com frequência a figura feminina é a mais escolhida. Depois é só “vesti-la”...começa-se pela roupa interior (pode parecer absurdo, mas logo por aí na  escolha do modelo e do tipo de lingerie se encantam e motivam os alunos). Em seguida opta-se por saia, fato, tshirt, fato de banho...depende da estação. Faltam mais uns adereços baton, unhas, cabelo, chapéu, lenço, boné ... Finalmente é só escolher a voz, mais ou menos alta, maior ou menor velocidade de fonemas pronunciados por minuto, grave ou aguda, doce ou áspera? É só clicar! Depois pode inclusivamente guardar-se e atribuir um nome ao professor eletrónico escolhido, Boazona, por exemplo, Brasa, Bruxinha, etc. Da próxima vez basta só clicar no nome, que ela aí está fina como um pero! Quanto aos docentes eletrónicos masculinos, é mais ou menos semelhante, há os louros, morenos, brancos ou de cor, olhos verdes ou de outras cores, bigode, barba, penteado, careca ou cabeludo e mesmo uns adereços especiais... uma mosquinha mesmo debaixo do queixo, brincos de vário tipo nas orelhas e até umas tatuagens à maneira... Quantos aos nomes atribuídos para guardar, é liberdade absoluta, desde o Repudo, ao Dentolas, passando pelo Gayjo, Brincolas, Carretas, Lingrinhas ou Pretolas... tudo é válido, basta guardar e fechar, da próxima é só clicar! Os conteúdos é que não variam muito... foram feitos e concebidos pelos curricólogos e assim uma aula de Sólidos Geométricos, por exemplo, lecionada  pela Boazona ou pelo Repudo, só varia no tipo de voz, ou no trejeito, a Boazona exibindo-se toda na sua linda minissaia, ou nos seus olhos verdes e cabelão doirado,  o Repudo com sua voz grave, pausada e dominante, exibindo seu casaco pele de rato, seus dedos de unhas sujas, seus bigodes desaprumados mexidos pelos dedos e lambidos pelos lábios no final de cada frase... Os rapazes parece que gozam o Repudo que se fartam e as raparigas acham a Boazona uma convencida!

Enfim, trata-se duma maneira nova de aprender... altamente programada, sobretudo nos objetivos e competências a adquirir. O produto final aponta para a produção em série, quais frades das Caldas, de cidadãos equilibrados, obedientes, trabalhadores, divertidos, que não gritam, não choram nem riem em demasia, cidadãos talhados à medida duma sociedade programada em tudo até ao milímetro, talhada em função da norma e da normalidade. Para trás fica a diversidade, a liberdade, o amor, o elogio da diferença, a livre expressão e direito de opinião...palavrões e chavões duma sociedade muito antiga duma meia dúzia de palermas humanos, que e ainda bem, foram finalmente desaparecendo dando lugar a cidadãos modernos montados in vitro com os melhores embriões e os mais bem apurados e manipulados códigos genéticos... basta chegar ao Laboratório e apresentar um esboço ou planta do que se pretende...sexo, altura, peso, forma e cor dos olhos, raça, cor da pele e ainda uns ingredientes raros, que se tornam mesmo em medonha carestia, como seja uma celulazinha do D. Afonso Henriques, do Mozart, do Napoleão, da Madre Teresa de Calcutá, ou mesmo da senhora Angela Merkel... miminhos genéticos só acessíveis  para algumas bolsas!...

Tempos de fast (food, school, sex, dream, etc..) sociedades altamente organizadas, produtivas. Se felizes ou não, pouco importa, essa é uma característica também já clássica e passada dos humanos, os tais palermas da raça em vias de extinção...

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publicado por eduardus às 14:07

CRÓNICA de Escolas e Parquímetros.

Quarta-feira, 14.09.11

Espantou-nos há poucos dias ouvir por aí referir numa dessas Televisões que, durante as férias, “os pais (coitadinhos – acrescento eu) não poderiam ir meter baixa médica, para tomarem conta dos filhos!”. O comentador e conceituado jornalista desta eloquente (?) frase (um desses tudólogos que andam por aí nas TVs a opinar sobre tudo, até de coisas de que não pesca nada!), acrescentava ainda que “no seu tempo os professores tinham trinta e tal alunos, quatro classes e que todos aprendiam!” É espantoso este raciocínio demagógico deste “cromo opinativo”, que no intervalo do seu roer das unhas até ao sabugo, não se dá conta do ridículo do seu discurso. Porém esta opinião torna-se ainda mais preocupante, quando vemos outras camadas da população e sobretudo pais e encarregados de educação a insurgirem-se contra o calendário escolar e contra os horários das escolas ou dos jardim-de-infância, partindo sempre dum argumentário que tem origem não no que é melhor, mais conveniente e aconselhável para os seu educandos, mas na articulação que imediatamente é traçada com o seu próprio emprego ou com o da sua esposa e mãe das suas crianças! E eis que então se entra logo em “pânico” ao verificar-se que no dia X ou Y a criança não vai ter escola/jardim e que... vai ser um problema! Como que a principal função da escola estivesse no “tomar conta” das crianças! Quanto a nós, isto está erradíssimo e urge com a maior brevidade definir qual o papel e função que cabe à Escola, enquanto instituição ou mesmo Serviço Social, para de seguida conhecermos melhor o papel e função que cabe a cada professor... É que –perguntamos- será que a principal função da Escola é mesmo a de se transformar num seguro armazém de crianças, que vela pela sua segurança física, enquanto os pais estão nos empregos? Mas então – perguntarão outros - onde terão os pais que “deixar estacionadas” as suas crianças nos dias em que não há escola? Bem, se a escola tem essa função – qual parque de estacionamento automóvel – não muito demorará o tempo de inventarmos por aí “parquímetros infantis”, nos quais os pais, através de alguns euros, deixarão as suas crianças entregues a quem delas cuide, isto é as alimente, lhes ponha por lá um filmezito, uns jogos de computador ou mesmo umas bolas, umas bicicletas ou uns mergulhos numa piscina...No final pagam o “estacionamento”, até podem pedir recibo para o IRS e... consciência tranquila! Será assim?

Vale talvez a pena refletir e recuar uns anos – não muitos– atrás para descobrirmos a “função genuína” da Escola, coitada, que veio sendo invadida, ao longo dos anos, por um conjunto de ideias, conceções ou mesmo deturpações que é urgente esclarecer. Faz falta situá-la novamente no seu devido lugar, de forma a definir cuidadosamente o seu papel, a sua missão e sobretudo libertá-la do que é supérfluo, do que não é da sua responsabilidade, ou do que pertence a outras pessoas, entidades e sobretudo às famílias. Outrora o papel da escola estava muito claro e todos o entendiam perfeitamente: educar e ensinar! Bem sabemos que os tempos mudaram e muito, mas ninguém nos venha dizer que outrora as mamãs não iam trabalhar...mentira, trabalhavam e de que maneira! Eram na generalidade donas de casa, mas trabalhavam afincadamente nos campos, muitas delas ganhando os dias ou as tardes de sol a sol! As escolas fervilhavam de crianças e ninguém questionava as férias, as faltas ou os feriados. Na comunidade local as crianças tinham sempre como se entreter, como passar os tempos livres, como se desenvolver... Não havia ATLs, nem instituições, nem animadores...ou melhor existiam mesmo, mas da mais alta qualidade e gabarito. Havia os campos, as árvores, os montes, os vales, os riachos, os ninhos, os grilos, as lesmas ou as borboletas, os besouros presos com uma linha que voavam, os piões nas baraças que rodopiavam, os paus do jogo da rocha, as bolas de trapos, as pinhas e os estadulhos, os botões e as caricas, os arcos e as pedras de jogar ao fito ou ao bota-fora! Os dias de feriado, as férias ou as faltas dos professores eram dias de autêntica farra no adro da Igreja, na eira do milho, no quelho da fonte, ou na mata forrada de fetos. Era um nunca-mais-acabar de brincadeiras e de jogos. E jogavam todos, rapazes e raparigas, mais velhos ou mais novos, mais ricos ou mais pobres, todos se divertiam verdadeiramente... E as crianças, que em viviam na aldeia, com frequência também trabalhavam no campo a ajudar os pais. E até se repetia aquele ditado, que os mais velhos sabiamente pronunciavam pausadamente e que rezava assim: “O trabalho da criança é pouco, mas quem o despreza é louco!” E de facto de louco ninguém tinha nada, assim na sementeira das batatas era um regalo ver os mais novinhos a pôr cuidadosamente as batatas da semente no rego, muitos deles com uma varinha de castanheiro, que servia de compasso ou marca e que o avô velhinho, mas ainda agarrado à rabiça do arado, tinha cuidadosamente preparado previamente. Os mais destemidos punham-se mesmo à frente das possantes vacas e bois, com um arrocho na mão, impondo-lhes a disciplina e chamando-as cuidadosamente pelo seu nome para a lavrada. E os pequenos inchavam de orgulho ao repararem como as vacas os seguiam religiosamente para onde quer que fossem, acelerando o passo a cada Ehhh, que o avô soltava acompanhado do ferrão da aguilhada, ou parando de imediato a cada Ohhh no final do rego ou para circundar melhor um obstáculo. Todas as fainas agrícolas eram participadas pelas crianças, na arranca das batatas, nas vindimas, nas desfolhadas, etc. A vida comunitária envolvia e incluía todos e desde bebés que frequentavam os campos, dormitando em cestos de verga, que lhes servia de berço, mais tarde já brincando com os sachos na terra fértil, moldando rios, cascatas, cabanas, moinhos, pontes e presépios da vida.

Quanto à Escola...bem quando a havia era enorme o respeito pela professora (a mestra como se dizia). As crianças sentavam-se e esperavam calmamente, por vezes quase a medo, que a aula começasse e enquanto a 4ª Classe dava a Geografia ou a Matemática, a 2ª Classe estudava a Tabuada, a 3ª Classe fazia uma Redação e a 1ª Classe uma Cópia...cada qual estava na sua missão, as matérias eram difíceis mas com a atenção sempre permanente e com o esforço em casa...o sucesso era praticamente geral. É certo que lá vinha um ou outro que fugia ao escantilhão...dormia na sala, não aprendia a juntar as letras, ou não atinava com as multiplicações mais simples. Com frequência levavam reguadas nas mãos, mas mesmo assim nada lhes entrava nas cabeças duras, nem mesmo a vergonha de passearem com as orelhas de burro pelo recreio fora... Mas lá singravam na vida, de enxadão nas hortas e nas vinhas, a roçar as matas ou então...emigrando para a França, Suíça e Alemanha, donde regressavam mais tarde, podres de ricos e muitos deles ao volante de carrões, nunca se conhecendo o milagre de terem conseguido a carta de condução! Na Escola, não havia nem representantes dos pais, nem Associações e para quê? Todos tinham as informações pormenorizadas dos professores, que eram escutadas com grande atenção e que continham em si mesmas autênticas lições não só de pedagogia e didática, mas também de educação moral, religiosa e cívica, de boas práticas e costumes, de higiene e saúde e mesmo de civilidade!

Costumamos dizer que tudo estava bem com a escola, até à invasão dos “politólogos”, “curricólogos” e sobretudo dos “tudólogos”, os tais com manias de saber de tudo, como o tal nosso comentador televisivo. Inventou-se da Escola tudo e esqueceram-se até os seus agentes principais, que são os professores. Estes são hoje os que menos mandam nas escolas, com tantas orientações, currículos, projetos, burocracias, papeladas, documentos, planos, ou seja com tantas invasões... os professores perguntam-se porque não os deixam à vontade dar as suas aulas como aprenderam, lecionar as suas crianças como tão bem sabem, interagir com a sua comunidade como tão bem devem?! As coisas complicaram-se seriamente nos últimos anos com outra parvoíce que por aí surgiu: a dita Escola a tempo inteiro! Simplesmente uma parvoíce! As escolas transformaram-se assim em armazéns de crianças, nas quais elas permanecem horas demasiadas, sujeitas e expostas ao ruído, à confusão, ao descontrolo e a atividades pouco elaboradas e mesmo recomendáveis, qual parque de estacionamento de automóveis, sem sombras nem árvores, mas com sol e poeiras ventosas! Os designados Centros Escolares (outra parvoíce em muitos casos) vieram fechar o cerco, encerraram-se escolas em aldeias com quarenta e mais alunos, fecharam-se e abandonaram-se salas em razoável estado de conservação e puseram-se pobres criancinhas a serem transportadas logo de manhã para a panaceia da sede do concelho...

Estupidez, pura estupidez, para trás ficaram os avós, os tios, os companheiros, os primos e os familiares mais diretos, que ajudavam a passar o tempo, que auxiliavam nos trabalhos de casa, que serviam o almoço e que os levavam para o campo, para o pinhal, para o rio, para os animais, para as hortas nas muitas horas de lazer! E perderam-se laços familiares, culturais e comunitários, optando-se por uma educação de kits, não ligando mais à diversidade, à interação familiar, à cultura e à própria liberdade das famílias. E o que se ganhou? Sinceramente não sabemos! E com a dita CRISE e o economicismo que por aí chegou com turmas enormes e recursos humanos escassos...tememos mesmo pelo futuro!

Os primeiros “modelos” ou “ exemplares” desta nova educação ainda não chegaram à “linha de montagem” final e ainda não foram experimentados, não podendo ainda fazer-se um competente “teste drive”... Porém as perspetivas não nos parecem muito boas, basta olharmos com olhos de ver como funcionam as nossas escolas, os nossos pais, os nossos professores, os nossos médicos, os nossos psicólogos...para antevermos que o “produto final” vá ser alvo de muitas queixas nos “Livros Amarelos” das reclamações. E o pior...bem o pior é que não há garantia, nem seguro que repare nenhuma destas anomalias...é que com crianças não se pode nem se deve fazer experimentações ou cobaíces, ao menos sem ser feita uma cuidada investigação avaliativa das situações! Deve-se antes educar e intervir cuidadosamente, porque, à medida que o tempo passa, é cada vez mais impossível voltar atrás!

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publicado por eduardus às 10:26

Nas minhas coordenadas, fronteiras ou marcas!

Quarta-feira, 07.09.11

Reformulei, mais uma vez,  o meu blog. O novo ano escolar recomeçou há poucos dias e na Educação são grandes as expectativas, relacionadas com currículos, condições de ensino-aprendizagem, novo estatuto do aluno, nova avaliação de desempenho dos professores, restruturação administrativa, etc. Ao nível político também vamos assistir com certeza a novas lutas e sobretudo a uma importante e pertinente redefinição dos princípios, que devem orientar as políticas de intervenção dos partidos, quando são poder... Ao nível pessoal, bem aqui é também importante e urgente "chegar ao meu destino" e assumir uma vida "nas minhas coordenadas", depois destes tempos de férias, em que a gente experimenta, conhece e se apaixona até por outras coordenadas!

E, sem dúvida que na vida, as nossas próprias coordenadas são importantes, temos que as conhecer muito bem, sabendo e entendendo muito bem todas as suas marcas e fronteiras. É importante que, dentro das nossas próprias coordendas versus fronteiras, cada qual se saiba munir das ferramentas mais atuais, eficazes e eficientes para a marcação e defesa das suas marcas. Isso é deveras importante na luta contra os invasores, sim porque há sempre quem, armando-se em Tudólogos versus  pseudo-intelectualoides, maníacos-conhecedores de tudo, ataque o nosso território e tente não só opinar, mas confundir, mandar, espezinhar... Seria importante que cada "sapateiro" não fosse presunçoso ao ponto de querer opinar muito  além da sua "chinela", mas que quando o tema for mesmo o da "chinela", que ninguém, por maior que seja ou se julgue académica ou intelectualmente, se atreva a produzir uma opinião sem ouvir previamente o "sapateiro"! Tem que ser assim e deverá ser assim, acabemos com os Tudólogos e ouçamos as pessoas que estão e produzem conhecimento prático e reflexivo na Educação, na Saúde, na Economia, na Segurança...Chega de "sapateiros" (dois tais presunçosos que julgam saber tudo e de tudo!)

As nossas fronteiras, versus coordenadas são também importantes, se queremos levar uma vida na acalmia, na comodidade, no progresso, no desenvolvimento e na paz. E, às vezes, em nome destes objectivos e valores na nossa vida, justifica-se o encapsulamento, a negação, o exílio, o desterro ou mesmo o isolamento dentro das marcas da nossa própria fronteira, ou seja das nossas coordenadas... ainda que tenhamos que mergulhar, ajoelhar, calar e sobretudo obedecer a todas as normas, convenções, deveres, estatutos, leis, códigos de conduta! O nosso corpo, a nossa alma, ou seja todo o nosso ser não foi concebido numa harmonia ou numa  perfeição absolutas (do tipo divino). Não, porque se assim fosse, não se deixava fora de toda essa obediência cega e cumprimento absoluto, um prazer enorme, uma vontade indomável, uma necessidade, ou mesmo outras formas de realização e felicidade... Não, no amor por exemplo, aquele malandreco do Cupido continua por aí a lançar as suas setas a seu bel-prazer e depois... os amantes é que as pagam, por vezes sendo obrigados a modificar vidas estruturadas, vidas já muitos anos vividas, sonhos desfeitos, lutas jurídicas que fazem gáudio aos advogados e aos tribunais... Na Política, outro exemplo, os correligionários não se sentiam satisfeitos pelas traições e manobras hipócritas dentro das listas e das lideranças. Nas Escolas, outro exemplo, ninguém se sentiria vingado ou satisfeito vendo colegas duramente castigados ou cilindrados, simplesmente porque foram interventivos, frontais e tiveram a coragem de gritar e dizer não; enquanto outros... conseguiram calar-se a tudo, sorrindo, acenando com a cabeça, despersonalizando-se e "prostituindo-se" ao poder e ao sistema!

Enfim... reduzirmo-nos às nossas coordenadas, contentarmo-nos e permanecermos só nelas, poderá parecer ridículo ou até cobardia... mas tem certamente as suas compensações.

É neste enfoque de vida meia centenária, que enfrentamos mais uma ano escolar, mergulhando nas nossas coordenadas, ainda que esquecendo alguns sonhos, alguns ideias e certezas, algumas fantasias, alguns prazeres ou mesmo algumas pessoas, que queremos mesmo esquecer!

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publicado por eduardus às 16:19





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