
Deixei de acreditar que Portugal se vá ver livre desta crise tão cedo! E começo mesmo a meditar nas recentes palavras de Sócrates, vindas de Paris... aquelas de dizer que “as dívidas dos países não se pagam, mas que se negociam”, será que tem mesmo razão? Matematicamente – ouso eu dizer - que é impossível, com este tipo de políticas, que Portugal saia desta malfadada crise tão cedo, ou até algum dia! E vem-me à memória, mais uma frase histórica, desta vez de António Spínola, quando, nos anos setenta do século já passado e a propósito da então guerra colonial, afirmou, qual pedrada em charco de água e lama, que “o problema da guerra colonial não era militar, mas político.” Na altura, tal como hoje com Sócrates, caíram-lhe todos em cima e foi preciso vir o 25 de Abril de 74, para todos lhe reconhecerem a razão e mesmo a sabedoria militar! Com Sócrates, estou convencido, que quando o país se afundar cada vez mais, mergulhando no descrédito, na pobreza, na insegurança, nos confrontos e na miséria social e económica, talvez depois recordemos só então as suas, hoje bizarras (?) palavras, não as considerando depois descabidas de todo! Como não serão também descabidas de todo, as palavras recentes de Otelo Saraiva de Carvalho, ao proferir que “os militares nas ruas só tinham uma forma de se manifestarem, que era pegar nas armas”...(,de novo.- acrescentaria eu!).
Sinceramente não sei mesmo o que dizer, já que não sei mesmo nada de economia...mas por vezes dou comigo a querer perguntar a Sócrates como negociaria ele a tal dívida do nosso país?! A prosseguir com as suas autoestradas e pontes, mesmo pelo Interior? A rasgar sem vacilações o TGV? A implementar o novo Aeroporto? E dinheiro? E confesso, que o vejo mesmo com aquele sorriso cinicotecnocrata a encolher os ombros e a responder-me descaradamente que “depois de feitos se veria!!”. Espantoso! – pasmo eu! mas de facto o desemprego não aumentaria tanto e o país, será que empobreceria mais? Mas será que um país que trabalha, que edifica, que constrói, que se lança para os cornos do toiro e da Europa com obras dessa envergadura, será que empobrece? Será que as obras são posteriormente confiscadas e exportadas para os tais países dos FMI, das TROIKA e das MERKEL? Ou será que...a dívida desse país se mercantiliza? E se se sim, como? Em troca de quê? E com quem? Com a Venezuela? Com o Japão? Com a América? Com o Canadá? Com a Base das Lajes? Com a NATO? Com a Nuclear? Com a saída do Euro? Com a adesão... ao Dólar? Como negociaria Sócrates a dívida do país, afinal?!...Grande enigma!
Mas duma coisa sinceramente eu sei... que é dar-me conta de alguns terrivelmente MAUS NEGÓCIOS que vejo acontecerem no meu país! E não falo (já) na alienação da nossa soberania para com a China, como está patente na recente venda da EDP, nem doutras alienações que por aí vão surgir...refiro-me, hoje aqui e agora, ao DESAPROVEITAMENTO DOS MELHORES RECURSOS HUMANOS que possuímos que estamos ESTÚPIDAMENTE A DERRAMAR! E relembro aqui, e a propósito, dois ou três casos:
O primeiro é o daquele casal que fez algum furor nas TVs este fim-de-semana (um pouco menos que o Sporting, mas quanto chegasse!), ele enfermeiro, ela médica especialista em medicina interna, a escandalizarem o país, anunciando que iam emigrar para a França, porque não tinham condições de (sobre)viver em Portugal! Fiquei petrificado, Deus meu!
Outros dois casos, aqui bem ao meu lado, são o do meu ex-aluno Nuno, de alcunha “O Chouriço”, da Escola de S. Martinho de Anta, onde um dia lecionei. Hoje é enfermeiro e músico trompetista, mas que emigrou para a Inglaterra e o do André, um jovem cá mesmo da minha aldeia, filho do Saúl, que tem um café por cá pela terra... é também enfermeiro e emigrou para Barcelona, Espanha!
Mas, como estes, há muitos outros casos, que nos furam os ouvidos no dia a dia: jovens engenheiros que emigraram para Marrocos, para Palma de Maiorca, etc., etc.
Bolas e merda para isto! Desculpem lá, mas sinto-me mesmo revoltado com todos estes TERRÍVEIS MAUS NEGÓCIOS para o nosso país! Senão vejamos:
1- Em QUANTO FICOU AO PAÍS a Licenciatura (em medicina, em enfermagem, em engenharia) de cada um destes jovens? Quantos milhares, ou milhões de euros gastámos para os formar, desde o Jardim de Infância, até aos canudos nas universidades?
2- Em QUANTO FICOU AOS PAIS a Licenciatura (em medicina, em enfermagem, em engenharia) de um destes jovens? Quantos milhares, ou milhões de euros gastaram para os formar, desde o Jardim de Infância, até aos canudos nas universidades?
Então, concordarão comigo, que cada jovem destes que estupidamente deixamos sair do país, por não lhe darmos condições, nem acarinhamento, são – mesmo financeiramente falando – milhões de euros que desbaratamos de forma ESTÚPIDA e com CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS IMPREVISÍVEIS E INCALCULÁVEIS!
Então, concordarão também comigo, que PROCLAMEMOS aqui e agora ao Governo deste país - se é que estes governantes ainda ouvem alguém – a:
A)- Em nome da RECUPERAÇÃO ECONÓMICA, QUALITATIVA, DESENVOLVIMENTAL E GERACIONAL de Portugal, que se PROÍBA de IMEDIATO a saída do país de qualquer jovem licenciado, comprometendo-se o governo a arranjar-lhes ocupação e remuneração compatível, de acordo com a sua especialização e formação.
B)- A ter de haver EXPORTAÇÃO DE ALGUÉM (se é que FINANCEIRAMENTE a TROIKA O EXIGE!) então que se comece e se selecione QUEM TEM MENOS POTENCIAL ECONÓMICO (OU MESMO POTENCIAL NEGATIVO), devido à sua idade, estado de saúde, incapacidade, rendimento, ou mesmo condição... como seja:
B1- Velhos (de preferência acamados!)
B2-Deficientes (de preferência do Interior)
B3- Drogados (de preferência passadores e consumidores)
B4- Desempregados (de preferência se casados e com filhos)
B5-Estudantes (de preferência com NEE)
B6- Professore (de preferência os que sofram de stress/burnout)
B6-Políticos (de preferência dos Partidos de Esquerda)
B7- Sindicalistas (de preferência da CGTP)
B8-Crianças (de preferência as órfãs e as negligenciadas)
B9-...
ENFIM, que dizer e fazer mais neste blog, a não ser ESCANDALIZAR?!
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