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Blog de EduardoRibeiroAlves

«No uso da minha livre opção de escrever com lealdade, gosto, amor e... combate!»

Blog de EduardoRibeiroAlves

«No uso da minha livre opção de escrever com lealdade, gosto, amor e... combate!»

NTICs e NEEs...recordando!!!

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Ao ver nas redes sociais (FaceBook), um protocolo qualquer assinado entre a UTAD e algumas Escolas de Vila Real, vem-me à ideia um post deste meu blog, que aqui publiquei. Dizia assim:

 

« Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008 Centro de Recursos

TIC para a Educação Especial em Vila Real: oportunidade rejeitada.

 

Uma das bandeiras deste Governo é sem dúvida o PAIPDI 2006-2009 (I Plano de Acção para a Integração das Pessoas com Deficiências ou Incapacidade), aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 120/2006.

Este audacioso Plano, no seu “ Eixo nº 2 «Educação, qualificação e promoção da inclusão laboral», prevê como “medida de reparação” a «implementação de 25 centros de recursos para as necessidades especiais de educação em agrupamentos de referência.» É neste contexto, que decorreram já diversas acções de formação para docentes de Agrupamentos de Escolas de vários pontos do país, onde irão ficar sedeados esses Centros de Recursos TIC para a Educação Especial, ao abrigo de protocolo entre o Ministério da Educação e a Fundação PT, sendo as citas acções orientadas pela Anditec e Tiflotenia, empresas especializadas em tecnologias de reabilitação.

E são diversas as aplicações informáticas que fazem parte das acções de formação frequentadas por esses docentes de Educação Especial, donde se realçam o progama Boardmaker e Speaking Dinamically Pro (para comunicação aumentativa, possuidor de bibliotecas com inúmeros símbolos pictográficos, a que poderão ser associados sintetizadores de voz), o Grid (sistema de teclados de ecrã), IntelliTalk (processador de texto interactivo), IntelliMathics (para conceitos matemáticos), IntelliPics Studio (para desenhar, pintar, fazer animações e até incorporar vídeo e áudio) e Jaws (tecnologia de voz sintetizada em ambiente Windows).

Vila Real foi um dos locais seleccionados para a implementação dum desses centros de recursos, tendo sido considerado como mais adequado para a sua instalação, por razões de acessibilidade aos alunos com deficiência motora, o Agrupamento Vertical Monsenhor Jerónimo do Amaral. Para a consecução deste objectivo, no passado ano lectivo, chegou este Agrupamento de Escolas a ser intervencionado directamente por uma técnica dos Serviços Centrais do Ministério da Educação (DGCID), tendo a então Direcção Executiva efectuado todas as diligências exigidas e prestado todo o apoio necessário ao nível da disponibilização de espaços e materiais.

Só que – lamentavelmente - o CERTIC da UTAD, sentindo-se ameaçado no seu protagonismo das TIC ligadas aos alunos com necessidades educativas especiais (NEE), imediatamente se insurgiu contra a instalação dum desses Centros de Recursos TIC em Vila Real, invocando estar-se perante uma duplicação de recursos. De forma ainda mais leviana, se portaram alguns responsáveis políticos locais, que se envolveram activamente também neste movimento contestatário tão lesivo para Vila Real, uma vez que, como é do conhecimento geral de todos os que trabalhamos duramente como professores e técnicos de Educação Especial, o CERTIC da UTAD, ao longo de todos estes anos, nunca conseguiu prestar o apoio e o atendimento mínimos aos alunos com NEE, às suas famílias e muito menos aos docentes de Educação Especial. Veja-se, por exemplo, a quantidade de materiais e aplicações informáticas existentes nas Escolas para os alunos com NEE, que ninguém utiliza porque ninguém sabe e ninguém sabe porque ninguém informa ou ajuda; ou então a instalação e utilização duma simples videoconferência para alunos impedidos de ir às aulas (com câncer por exemplo), em que é necessária a deslocação a Vila Real de técnicos vindos do Porto. Haverá certamente muitas causas ligadas a esse apoio deficitário prestado pelo CERTIC, mas a principal delas é sem dúvida a sua arrogância corporativista e académica de nunca ter querido estar sedeado num Agrupamento de Escolas como Unidade de apoio na área das novas tecnologias, aliás à semelhança de outros CERTIC (CANTIC) espalhados pelo país.

Foi por conhecermos bem toda esta problemática e contexto, que nos congratulámos com o PAIPDI 2006/2009 e com a oportunidade de implementação, também na nossa cidade, de um desses 25 centros de recursos para as necessidades especiais de educação, num agrupamento de referência, fosse ele qual fosse. Infelizmente para todos nós e em especial para os alunos com NEE, Vila Real não terá nenhum desses 25 Centros, com ele se perdendo também a oportunidade de formação de docentes de educação especial, para exercerem funções num desses Centros de Recursos TIC, de que Vila Real poderia também usufruir, mas que … estultamente rejeitou.

Em seu lugar, essa coisa do CERTIC, fortificado na UTAD e encapsulado na sua arrogância académica, continuará a merecer as vénias de alguns dirigentes políticos locais, a quem directamente responsabilizamos por mais esta oportunidade perdida e altamente danosa para os alunos com NEE.

Sinto-me: revoltado! publicado por eduardus às 03:10» 

Bem não vale a pena chorar sobre o leite derramado... o tal Centro de Recursos para  as NEEs, que estava destinado para Vila Real, foi simplesmente "desviado" para Chaves. Vila Real, ao nível de Centros de Recursos ficou dependente (e que eu saiba ainda continua) do Centro de Recursos de Mirandela. Resta dizer que os responsáveis de então para que um desses Centros de Recursos não ficasse em Vila Real, na Escola Mons. Jerónimo do Amaral, foram a UTAD (CRETIC), o então CAE (Centro de Área Educativa) e o próprio Governador Civil do distrito. Enfim... 

 

 

publicado às 23:27

RECORDANDO...Catarina!!

Às vezes releio o que em tempos idos escrevi, publiquei ou postei... Hoje reli e recordei Catarina...já foi há uns anitos!

« domingo, 6 de Setembro de 2009

CATARINA, ontem e hoje.

 sem nome.png

Catarina (nome fictício) é o nome que serve para identificar aqui uma das professoras mais lutadoras. Catarina, tal como a outra, a Catarina Eufémia... mulher de baixa estatura física mas de imensurável coragem!
Assim, durante toda a sua vida docente, muito a admirei pela sua frontalidade e mesmo ousadia com que defendia as suas posições. E, nas reuniões de então, parecia um megafone, apelando aos sete ventos contra o fascismo, o capitalismo e a ditadura. E fazia-o duma maneira tão convicta e corajosa que me impressionava. Ao longo dos anos mostrou sempre de forma intransigente a sua luta, em nome da justiça, da democracia, da afirmação pelas suas ideias, pelo seu ideal mesmo político.
Os anos passaram, para ela e para mim. E hoje, de vez em quando, cruzamo-nos na rua, no café, na escola...
Mas Catarina mudou.
E mudou muito, e hoje ou não me entende, ou ficou dura de coração e já não sente o pulsar do combate. Confesso que tentei ,por várias vezes, ao longo dos dois últimos anos, dar-lhe alguns fortes abanões. Mas não resultou! Catarina está mole, empedernida. Catarina perdeu aquele brilho nos olhos, aquela coragem, aquele ânimo. Não lhe quero mal, bem pelo contrário!
E admito que Catarina se tenha finalmente cansado que tenha desfalecido pela dureza da luta e do combate, que tenha mesmo desertado pela traição das armas dos camaradas e que se tenha dado conta que... juntando-se ao rebanho, não dando nas vistas, não fazendo ondas, não levantado poeira, que possa levar uma vida mais calma, sem tantas angústias familiares e profissionais. Admito que isto tenha acontecido a Catarina, tal como tem vindo a acontecer a muitos outros  combatentes, que, perante a agudeza da luta, entram em pânico, desfalecem, desmaiam, enlouquecem, fogem e acabam por mesmo por ser mortos ou desaparecidos em combate. Opções difíceis, mas quiçá mais pragmáticas do que teimar o combate e acabar medalhado na sua coragem e valentia mas... a título póstumo!
Há cerca de dois dias vi Catarina na Escola: triste, apagada, uma sombra de outrora! Mesmo assim olhou-me longamente nos meus olhos e conseguiu num relance ler neles tudo o que eu tinha para lhe dizer e contar... sem eu nada dizer, gritar, saltar ou gesticular ela leu tudo nos meus olhos, depois, virou-se para mim e com desespero, mágoa ou exaustiva dor segredou-me ao ouvido:
- Daqui para a frente, tenho é que pensar nos meus dois filhos. Só quero preocupar-me com os meus dois filhos e nada mais!
Desviei o olhar e afastei-me.
Afastei-me e fugi com os meus olhos toldados por duas teimosas lágrimas de raiva e de tristeza! Depois dei comigo a perguntar-me porque estava a acontecer tudo isto a Catarina?! Porque é que Catarina resistente ao fascismo, ao salazarismo, à noite escura e pidesca, às leis injustas, aos ataques à classe, à injustiça, a tudo e todos e... se encontra agora tão exausta?! Agora se rendeu! Agora se aborregou?!...
Ah, Catarina de ontem e Catarina de hoje!...
Finalmente descobri.
E ao descobri-lo fiquei, também eu, petrificado e assustado.
E sinto-me agora com medo, muito medo, Deus meu!
É que... os tempos de hoje são piores do que aquilo que se julga.
É certo que hoje, já não há armas na rua, nem tiros, nem chicotes, nem canhões de água, nem cocktails molotofs, nem torpedos bengalórios, nem cassetetes, nem paus, nem punhos cerrados, nem gritos, nem palavras de ordem, nem revolta! Hoje, já não há nada disso, porém a luta é muito pior, muito mais perigosa e muito mais aguerrida!
A luta de hoje é de colarinho branco, é de camisa e gravata lavadas, é de gabinete, é de bufos, é de intriga, de compadrio, de cinismo, de influência, de corrupção, de traição.
E, contra este tipo de luta tão soft... Catarina não é capaz de lutar, porque simplesmente não sabe, porque na sua recruta, na sua instrução e na especialidade da sua arma de infantaria, não foi treinada para este tipo de luta. E este tipo de luta é o mais cobarde, o mais perigoso, o mais temível. O inimigo usa camuflagem por todo o lado, até nos companheiros, camaradas e colegas que se pavoneiam ao nosso próprio lado! E, se a gente ousa fazer um simples comentário, passados poucos segundos já chegou ao conhecimento do chefão, dos seus ouvidores, ou dos seus apêndices! E Catarina sabe muito bem que é assim. Por isso é que, já cansada de tantas punhaladas e de tantas traições, se escuda agora nos filhos, aparentemente se desinteressando da luta e dos combates e ensaiando sorrisos amarelos e desfarçados para a corja de feras, que a rodeiam!
Bem sei, minha Catarina querida, bem sei e compreendo a tua atitude, embora lamente que não prefiras as lágrimas da cela da prisão, do combate e da luta clandestina, do código de honra, do juramento de espada, dos irmãos encapuçados, dos braços suados e das faces frias!
E é esta a luta que é preciso doravante travar... e tu, Catarina, fazes tanta falta por cá neste combate!
Porque esperas?!
 0 comentários  »
Deixo aqui um epitáfio para tantas Catarinas! Ah, na época (2009), tinha um blog chamado "nomeiodasferas"...
publicado às 23:31

Onde estará? Alguém o viu aí pelo Mundo?!....

Vai fazer cinco anos (foi em  1 de junho de 2012)... neste meu Blog escrevia assim:

«VISITA MUITO AGRADÁVEL E RECONFORTANTE!

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Senti a sua cabeça de cor preta e o seu sorriso a bater-me à porta, era o Padre António Augusto (ou o Irmão António, como ele gosta que eu lhe chame). Já não o via há dois anos...Nasceu algures na África, foi refugiado em Angola, estudou no Seminário da Ordem do Espírito Santo em Malange, vindo completar o curso a Portugal, ao Seminário de Braga. Fala com um sorriso sempre na boca, nas nossas longas conversas sobre a Religião, sobre Deus e sobre os homens. O Irmão António, por sua vontade própria, que admiro profundamente, exerce o seu apostolado no Sudão (Sul), no Quénia, no Chade, que conhece como as suas mãos, falando das suas onze mil crianças, das suas aulas ao ar livre, da sua evangelhização sem igreja ou capela, sem cálices, sem paramentos, sem hóstias ou altares.

 

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Mas fala também com o mesmo sorriso, naturalidade mas eloquência de Fátima, que conhece tão bem e que considera o "Altar do Mundo", afirmando ser redutor considerar Fátima como somente dos Católicos... até porque os próprios árabes (afirma) têm também eles uma admiração por Fátima, até por ser esse também o nome da filha do seu profeta Maomé!

Conheço o Irmão António há sensivelmente uma dezena de anos. Quando parte de minha casa, nunca sei se volta, pelo que hoje quando nos visitou foi uma alegria. Comeu do que havia em casa (como ele diz que devem fazer os irmãos, em casa dos outros irmãos!). Come pouco, porque tem um corpo habituado às carências mesmo alimentares, ficando por vezes dias e dias sem ingerir alimentos.

Fala sempre com um sorriso nos dentes alvos e nos olhos arregalados, mesmo quando fala daquela última bala que teve que arrancar dum perna, ainda há poucos dias! Mas não consegue disfarçar uma certa tristeza quando fala das violações de crianças de 10/12 anos por mais de uma dúzia de homens armados... ou das violações em massa de todas as mulheres de toda uma aldeia. Mais triste ainda fica quendo se refere à captura (caça) em massa às pessoas, em especial crianças, para lhes serem retirados órgãos dos corpos, que depois são comercializados e enviados para um outro mundo dito "técnico e desenvolvído"  e habitado pelo dito homo sapiens!

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Ai este Padre António deixa-me reconfortado, como que carregasse com ele todos os meus pecados, em troca de meia dúzia de golos do meu vinho fino, que pede logo à chegada! Recorda-se dele, segundo confessa, tantas vezes por lá naqueles algures! Depois mostra-me fotos do seu mundo, dos seus crentes, dos seus (nossos) irmãos.  Em frente ao meu computador sorri-se com algum malicioso desdém, ou mesmo desprezo pelo "meu mundo" de coisas "supérfulas" (como diz)... por lá, pelo Sudão, pelo Quénia, não há computadores, nem internet, nem telefone, nem comida, nem água, nem eletricidade, nem mesmo chuva (já lá não chove há seis anos!!)

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 Meu Deus.... que Planeta este!

Lá partiu, com o mesmo sorriso, com mais um abraço. Não sei até quando, não sei se até uma próxima... Boa viagem, Irmão António, até... até quando Deus quiser!!»

RESTA UMA PERGUNTA, OU UM APELO:

Onde estás, Padre?! Ainda és vivo?! VOLTA! Espero-te por cá!! Não Tardes!!

publicado às 23:54

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